Por clarissa.sardenberg

Rio - Após serem impedidos pela segunda vez de fiscalizarem as obras do Parque Olímpico Rio 2016, na área do antigo Autódromo de Jacarepaguá, na Zona Oeste, na última quinta-feira, parlamentares afirmam que a Prefeitura do Rio não está deixando claro o andamento da obra. "O problema é que a prefeitura e o consórcio estão negando transparência no empreendimento", afirmou o deputado Flavio Serafini (PSOL-RJ) neste sábado.

A concessionária responsável pela obra, Rio Mais, alega que a entrada dos parlamentares para fiscalização precisa ser autorizada pela prefeitura, que por sua vez afirmou que essa responsabilidade é da concessionária. O fato é que nem por uma via ou outra o grupo pôde fiscalizar o local. Segundo o parlamentar, o Judiciário será acionado no início da próxima semana para uma ação contra a prefeitura.

Na última tentativa de visita, Serafini e os vereadores Renato Cinco e Babá, todos do PSOL-RJ, publicaram em redes sociais que a concessionária Rio Mais estaria desmatando áreas da obra. Eles conseguiram acessar uma parte do empreendimento através de um tapume e alegam que há problemas em intervenções feitas na beira da lagoa e depósitos de entulho.

Deputado Serafini publicou vídeo em rede social contando sobre fiscalização frustrada no Parque Olímpico Reprodução Facebook

O consórcio responsável respondeu que a área vista pelos parlamentares não configura desmatamento pois para o projeto do Parque Olímpico é necessário retirar da região vegetação que não é nativa para o replantio de espécies que são.

"Pode ser que seja verdade", afirmou o deputado sobre a declaração, mas reiterou que é necessário fiscalizar. "A gente quer ter acesso ao parque para ser esclarecido", disse Serafini.

A comitiva também era formada por pesquisadores da UFF, integrantes da organização Justiça Global e do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro - Cau/RJ.

Vila Autódromo

A questão ambiental na Lagoa de Jacarepaguá envolve a comunidade Vila Autódromo. Dois grandes hotéis serão construídos na área da comunidade. "A prefeitura não deixa claro para os moradores quais áreas serão removidas", afirmou Serafini.

No início do mês passado, a Justiça autorizou a demolição de residências da comunidade em áreas consideradas irregulares pela prefeitura. A desapropriação terminou em conflito, com os moradores acusando terem sido alvo de truculência e a Secretaria de Ordem Pública (Seop) alegando que foi recebida com pedras e paus.

Em 2013, o urbanista e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Carlos Vainer recebeu um prêmio do concurso Deutsche Bank Urban Age Award pelo "Plano Popular da Vila Autódromo". O projeto, que não saiu do papel, consistia num plano de urbanização da comunidade, sendo uma alternativa às remoções. A premiação anual celebra soluções criativas para problemas.

Parte do projeto do Parque Olímpico abarca a Faixa Marginal de Proteção (FMP) da Lagoa de Jacarepaguá — um espaço que tem em torno de 60 mil m² e um perímetro de 1.400 metros. A Rio Mais alega que esse espaço será totalmente recuperado com vegetação nativa de mangue e de restinga.

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