Por adriano.araujo

Rio - A cada batida do martelo nas paredes de um antigo galpão no Complexo do Alemão, a Escola de Polícia Pacificadora vai se tornando mais real. Atual menina dos olhos da Polícia Militar, a inauguração da estrutura — prevista para o segundo semestre, anexa à Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP) — também vai estrear uma nova fase no programa de ocupação das forças de segurança nas comunidades: a ‘graduação’ dos militares.

Concebida para ser o novo centro de formação dos agentes que atuarão nas futuras Unidades de Polícia Pacificadoras (UPPs), a escola ganhou força e vai capacitar também os militares de todos os atuais e novos órgãos da corporação, além de reciclar quem já está em ação nas 38 comunidades ocupadas no estado.

Mas a principal ideia do programa, de acordo com o coordenador de Comunicação das UPPs, é que os policiais saiam do curso de formação direto para um ‘estágio’ na Escola de Polícia Pacificadora, antes de irem para os terrenos patrulhar.

Construção das salas de aula da Escola de Polícia Pacificadora está quase concluída%2C no AlemãoDivulgação

“Quando chegamos, deparamos com uma tropa impactada pela realidade violenta. Os policiais se sentem valorizados com o treinamento. Quando se sentem mais seguros, o número de confrontos cai”, afirma o major Ivan Blaz.

Essa ‘graduação’ dos militares é considerada um degrau a mais na formação, quase um ‘nível superior’ em polícia de proximidade. O curso é feito em módulos e em um ano e dois meses todos os policiais terão participado do treinamento. Quando estiver pronta, a Escola de Polícia Pacificadora terá sete salas, cada uma com capacidade para receber 70 alunos por aula. A estrutura também contará com auditórios multimídia, além de espaço para treinamentos táticos, alojamentos e refeitórios.

Enquanto o espaço não fica pronto, os policiais estão recebendo instruções no Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças (Cfap), em Sulacap. Nos últimos seis meses, 3.171 militares da corporação passaram pelo programa de reciclagem, em diversas metodologias que serão aplicadas no trabalho de aproximação com os moradores.

No total, atuam em comunidades do estado 9.543 policiais. Além desses, dois mil recrutas estão sendo formados para patrulhar as 15 comunidades que formam o Complexo da Maré, que terão quatro novas UPPs inauguradas até março.

Aulas sobre a história da comunidade

?Outra novidade que a Escola de Polícia Pacificadora vai acrescentar à formação dos soldados é que eles receberão instruções específicas sobre a comunidade onde irão patrulhar. Atualmente, ao deixar o centro de formação, o policial passa por um estágio em alguma comunidade para só depois ir conhecer seu local de trabalho. Como boa parte dos recrutas vêm de outros pontos do estado, muitos nunca chegaram a pisar numa favela antes de calçar os coturnos e começar o policiamento.

Com a mudança, os militares passam a conhecer a fundo a geografia, os conceitos, a rotina, estrutura e realidade da favela, para já chegarem lá sabendo como agir.

No treinamento de polícia de proximidade, os agentes também aprendem a lidar com os problemas mais comuns no dia a dia da comunidade, como a hostilidade de alguns moradores, brigas entre eles, confrontos com criminosos, ocorrências policiais, treinamento tático, levantamento de dados de Inteligência e, até mesmo, como agir diante de crianças.

O curso apresenta aos alunos mais de 20 modalidades para que eles desempenhem seus papéis de polícia e também atuem em projetos de prevenção de crimes e outras irreglaridades. Ainda de acordo com o major Ivan Blaz, na atual gestão, 115 projetos sociais com a participação dos policiais doram retomados nas comunidades, beneficiando 14.200 moradores.

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