Ato ecumênico celebra volta de prefeito, mas Câmara faz novas denúncias

De volta ao cargo 10 dias após cassado, Martinazzo alegou ser vítima se perseguição política

Por O Dia

Rio - Reconduzido ao cargo após 10 dias cassado, o prefeito Alcir Fernando Martinazzo (sem partido) foi recebido nesta terça-feira com um ato ecumênico na sede do Poder Executivo. Com direito a carro de som tocando músicas evangélicas e presença do prefeito de Japeri, Ivaldo Barbosa dos Santos, o Timor, e secretários municipais, cerca de 100 moradores acompanharam a cerimônia. Em seu discurso, Martinazzo alegou ser vítima se perseguição política. “Vamos continuar buscando o melhor para o município, conversando com os vereadores, revendo nossos erros. O que não pode é Seropédica continuar sendo vítima desta situação”, disse.

Ele também anunciou que pretende mudar o quadro de secretários. “Podemos mexer um pouco, mas a equipe está madura, eficiente, só queremos aperfeiçoar”, completou, ao destacar que no dia 17 de setembro o governador Luiz Fernando Pezão estará no município para inaugurar uma Clínica da Família.

Martinazzo recebeu o apoio de Timor%2C prefeito de Japeri%2C secretários municipais e moradores da cidadeDaniel Castelo Branco / Agência O Dia

“Foi um golpe de estado, um ato inconstitucional. Martinazzo reconquistou seu cargo que lhe é de direito, pois foi conquistado de forma eletiva. Ninguém pode fazer uma covardia e ficar por isso mesmo. A justiça foi feita”, disse Timor. Dedé Bananeiro (PSB) foi o único vereador presente ao ato. “O mais errado foi que o presidente da Câmara (Wagner Vinícius de Oliveira, o Waguinho do Emiliano) não poderia ter votado. O juiz observou isso. Também tem muito interesse político”, declarou.

Enquanto isso, na Câmara, nove dos 10 vereadores se reuniram e relataram novas denúncias contra o prefeito. “Ainda estão em curso duas CPIs. Fizemos uma investigação profunda e apuramos vários crimes, como licitação fraudulenta, certidões falsas, 8 mil uniformes escolares largados para incineração, remédios vencidos e abandono de livros. Seropédica está em estado de sítio”, afirmou o vereador Max Goulart (PC do B).

O vereador Aguinaldo Luis Pereira (PTN) reiterou a denúncia. “Este material foi colhido nestes 10 dias que ficamos na prefeitura e depois foi encaminhado para o Ministério Público e a Policia Federal. Em breve vamos saber se foi um golpe, como eles dizem, ou se a gente está investigando uma quadrilha”, avisou.

Waguinho, por sua vez, afirmou que não tem interesses políticos. “A Câmara apenas exerceu sua função. Nós repeitamos a decisão, mas não concordo com estas denúncias. Estou provisoriamente na função de prefeito, até que uma novo processo eleitoral seja realizado”, alegou, além de afirmar que ainda espera ser notificado sobre a decisão. Na segunda-feira, ele havia informado ao DIA que entrou com agravo de instrumento no Tribunal de Justiça e aguarda julgamento.

População se divide

Enquanto a Prefeitura e a Câmara trocam acusações, os moradores sofrem os efeitos no dia a dia. “Não temos estabilidade econômica, política, social. Os moradores reclamam cotidianamente, a cidade está um caos”, reclamou o líder comunitário Davi Camilo, de 56 anos, apontando para uma obra em torno de uma ponte, que atrapalha os passageiros.

Já o eletricista Edson Fernandes, 34, disse apoiar Martinazzo durante o ato, e criticou a iniciativa da Câmara. “Confio no prefeito, que está trazendo vários investimentos, como estas novas fábricas, para a cidade. Essa disputa política só nos prejudica, parece que eles não se importam com o bem da população", afirmou.

Reportagem de Lucas Gayoso

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