Moradores do Alemão criam crachá temendo que autista seja morto

Nesta terça-feira, o menino não entendeu a ordem de parar, dada por um policial, correu e só não foi atingido porque uma senhora alertou os militares

Por O Dia

Rio -  De novo às voltas com tiroteios diários, os moradores do Complexo do Alemão ganharam mais uma preocupação: evitar que Eduardo de Souza Silva, o Dudu, 21 anos, seja confundido com bandido. Nesta terça-feira, o menino autista não entendeu a ordem de parar, dada por um policial, correu e só não foi atingido porque uma senhora alertou os militares, aos gritos, sobre sua condição.

Amigos e parentes contam que Dudu não consegue ouvir direitoDivulgação

“Vamos fazer um crachá para o Dudu, que é muito querido aqui na Grota mas morre de medo da polícia. Sempre que vê uma operação, sai correndo”, conta o produtor cultural Helcimar Lopes. “Todo mundo aqui conhece ele, mas os policiais não. Então vamos também ao comando das UPPs mostrar o retrato dele.”

Dudu trabalha no sacolão da Grota, auxiliando os moradores a embalar suas compras, e foi abordado de manhã no Beco da Coruja. No estabelecimento, cativou todos com seu jeito inocente. Reinaldo Guilhermino da Silva, tio do menino, diz que não foi a primeira vez que a abordagem aconteceu. “Tem policial que faz isso de maldade”, afirma Reinaldo, de 37 anos. “Uma vez chegaram a atirar na direção do Dudu para zoar ele. Eu morro de medo que aconteça uma tragédia, porque ele não entende as ordens, ele não escuta direito.

Nesta terça-feira mesmo os moradores criaram uma corrente solidária para distribuir a foto de Dudu pelas redes sociais. Até o início da noite foram 502 compartilhamentos, com mais de mil curtidas. “Resolvi fazer a postagem porque não podemos perder um jovem como Dudu numa tragédia. Não aguentamos mais. Este mês teve cinco tiroteios, todo dia passamos por isso”, encerra Helcimar.

Moradores relatam medo de confrontos constantes

Sobre o caso de Eduardo, o comando da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Alemão informou que não recebeu nenhuma denúncia relacionada a abordagens ao jovem e nem de que policiais teriam atirado contra ele. Ainda segundo a nota, o comandante da UPP Alemão está à disposição da família do rapaz para qualquer esclarecimento.

Na região, o clima é tenso. Confrontos com policiais dos batalhões de Operações Especiais e de Choque foram registrados nesta semana. Dia 6, um PM foi baleado durante confronto com traficantes na Fazendinha. O projétil ficou alojado no colete do soldado, que acabou sofrendo apenas uma luxação no tórax. Pelas redes sociais, moradores relatam tiroteios a qualquer horário do dia.

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