Moradores de comunidades sem UPP sofrem com tiroteios entre criminosos

Comunidades como Chapadão, na Pavuna, e Serrinha, em Madureira, vivem dias de terror com confrontos entre facções

Por O Dia

Rio - Ainda sem data para serem ocupadas pelas Forças de Segurança, comunidades como Chapadão, na Pavuna, e Serrinha, em Madureira, vivem dias de terror com tiroteios entre traficantes e policiais, além da disputa de facções rivais. Na noite de quinta-feira, uma tentativa de sequestro do irmão de policial militar, que acabou em perseguição, tiroteio e um suspeito morto, fechou a Estrada Rio do Pau, uma das principais da região. Já na Serrinha, Severino de Souza, de 42 anos, morreu terça-feira após ser vítima de bala perdida. O tiro de fuzil teria sido disparado do alto da comunidade por traficantes. Nesta sexta-feira, em novo episódio da guerra, bandidos do Juramento chegaram a fazer disparos do asfalto, assustando moradores e motoristas.

O comandante do 9º BPM (Rocha Miranda), tenente-coronel Roberto Garcia, disse terça-feira ao DIA que o tiro que matou o morador, provavelmente, partiu de criminosos. Ele alega ainda que o batalhão, que cobre 17 bairros, “está enfrentando traficantes de três facções criminosas distintas, além de ser uma região na qual também atuam milicianos”, disse. “Há uma guerra entre eles, inclusive”, ressaltou Garcia.

Caveirão da PM reforça patrulhamento nas comunidades que sofrem com a guerra de traficantes Pavuna da Depressão / Divulgação

Já o major José Matos, que está interino no comando 41º BPM (Irajá), também confirmou que a unidade têm dificuldade para entrar em algumas comunidades, como o Complexo do Chapadão e da Pedreira, em Costa Barros, comandada pelo bandido mais procurado do Rio, Celso Pinheiro Pimenta, o Playboy. “Quando entramos nas comunidades, eles atiram da parte alta do morro. No Chapadão, que é extenso, se escondem na mata e na Pedreira, fogem para a vizinha Favela da Quitanda. Quando chegamos na parte alta, muita coisa já aconteceu”, disse.

Ainda de acordo com o major, traficantes destas comunidades têm ‘inovado’ durante os ataques aos policiais. “Trocaram o fuzil FAL pelo AK-47, que é mais leve, fácil de ser usado e deslocado na fuga. Atinge um raio de cinco quilômetros e faz um grande estrago”,afirmou Matos.

Na região o clima é de medo. Pelas redes sociais, muitos moradores relatam ações de traficantes e alguns gravaram áudios dos intensos confrontos, que são compartilhados em grupos de WhatsApp. “Pavuna tá calada pelos bandidos”, diz um morador que pediu para não ser identificado. “Evitem a área por que a coisa tá feia. Tiroteio todos os dias no Chapadão. Está difícil morar na Pavuna. Não dá para sair de casa”, alertou outra moradora.

Esta semana, moradores do conjunto residencial Village Pavuna também ficaram sob fogo cruzado durante tiroteio entre facções.

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