Papa dá status de basílica para Igreja dos Capuchinhos

O Rio de Janeiro agora é a única cidade do mundo com tantas basílicas como Roma

Por O Dia

Rio - Beleza artística em arquitetura e decoração, transcendência histórica e veneração de cristãos são alguns dos motivos importantes pelos quais uma igreja pode passar a ser considerada uma Basílica Menor, título concedido pelo Papa. Foi o que aconteceu agora com o antigo Santuário São Sebastião, na Tijuca, elevado à Basílica Menor de São Sebastião pelo Papa Francisco, em decreto que foi assinado no mês passado.

Os mosaicos coloridos, os mármores de carrara e os vitrais da Igreja dos Capuchinhos têm muito a contar sobre a história do Rio. É lá que estão os restos mortais de Estácio de Sá, fundador da cidade, o marco da fundação, ambos tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), e a imagem histórica de São Sebastião, padroeiro do Rio, trazida por Estácio de Sá no século 16.

Frei Arles%2C pároco dos Capuchinhos%3A a Igreja merece o título por sua importância cultural e histórica. Lá estão guardados os restos mortais do fundador da cidade%2C EstácioAndré Mourão / Agência O Dia

Pela regra, nenhuma cidade poderia ter o mesmo número de basílicas de Roma, que tem quatro. O Rio agora quebrou este “mandamento”. “O Papa passou por cima dessa determinação devido à importância da igreja para a cidade e para os cariocas”, disse o paróco da igreja, Frei Arles José de Jesus, de 38 anos. “Não só pela questão religiosa, mas também cultural, arquitetônica e artística”, completou.

Para ser elevada à categoria de basílica, é necessário enviar um processo ao Vaticano com todos os documentos exigidos, fotografias até de detalhes e a história da igreja. Antes, o pedido precisa ser aprovado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Depois, é enviado ao Vaticano e leva de cinco a dez anos até a análise ser concluída. No caso da Igreja dos Capuchinhos, levou apenas três meses. “Não estávamos preparados para receber esse título agora. Para nós está corrido, porque em pouco tempo temos que preparar a igreja para a grande cerimônia de instalação” disse o Frei Arles.. A cerimônia vai acontecer no dia 1º de novembro, em homenagem à memória da última missa celebrada no Morro do Castelo, no Centro, primeira sede da Igreja.

Luciana Cabral tem 85 anos, é portuguesa e há 67 anos vive no Brasil.É uma das mais antigas frequentadoras da Igreja, e vibrou muito com a notícia. “Aqui não temos um pároco, temos uma nobreza. O que ele tem feito pela nossa igreja, ninguém nunca fez”, disse, sobre o Frei Arles.

O italiano Pietro Stefano, 62, é morador da Tijuca e frequentador da Igreja, onde batizou a filha. “Fiquei muito feliz com a notícia. Essa igreja traz bons fluidos, sabia? Desde que passei a frequentar, as coisas melhoraram”, disse o jornaleiro, acrescentando que a circulação agora deve aumentar.

Vitrais coloridos e mármore carrara embelezam a “casa” dos CapuchinhosAndré Mourão / Agência O Dia

O Santuário é administrado pelos Frades Capuchinhos. Os dias mais cheios na Igreja costumam ser a primeira sexta-feira de cada ano - por onde passam cerca de 400 mil pessoas. Aos domingos, cerca de 1500 fiéis vão ao templo na Tijuca.

Território do Papa no meio da Tijuca

A Igreja de São Sebastião dos Capuchinhos é a primeira basílica de um santo mártir e homem na cidade do Rio. As outras quatro são de mulheres. A Basílica Imaculada Conceição, na Praia de Botafogo; a Basílica de Nossa Senhora de Lourdes, em Vila Isabel; a Basílica de Santa Teresinha do Menino Jesus, na Tijuca; e a Basílica do Imaculado Coração de Maria, no Méier, na Zona Norte.

Para ser basílica, a igreja precisa atender a diversas exigências do Vaticano. “É tudo encomendando, e vem de Roma para cá”, disse o Frei Arles. Faltam chegar os principais símbolos religiosos: o brasão, o tintinábulo e o ombrellino. Como basílica, a igreja será obrigada a repetir toda solenidade que acontecer no Vaticano. Ela passa um território papal. Ainda em 2015, a Igreja vai passar por uma obra de restauro que fará parte do projeto de instalação da basílica de São Sebastião.

Templo de fé e história

Construída na década de 20, inaugurada em 1931, a Igreja dos Capuchinhos é a primeira basílica dedicada a São Sebastião, também como paróquia, no Brasil.A instalação marca os 450 anos da fundação da cidade. “Queremos trabalhar para aqui seja uma referência para o turismo religioso. Além do mais, a história da cidade do Rio de Janeiro está aqui, o que faz da nossa igreja também um museu”, disse o Frei Arles. “Como basílica, a Igreja passa a ter mais cobrança, mas também maior reconhecimento do poder publico”, completou.

Reportagem da estagiária Amanda Prado

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