Maratona anima a orla do Rio

Ponto negativo foi relato de intolerância com atleta cadeirante

Por O Dia

Rio - O espírito esportivo aqueceu o tempo frio e nublado e tomou conta do Rio ontem, com a realização da 12ª edição da Maratona Caixa da Cidade do Rio, que reuniu 26 mil participantes — 10 mil deles de outros estados brasileiros e de 61 países — na orla da cidade. O trânsito ficou lento em vários pontos da cidade, mas o evento encantou os atletas e os moradores, que foram cedo para acompanhar de perto os atletas.

Cerca de 26 mil atletas%2C dos quais 10 mil de fora do Rio%2C correram ontemAlexandre Vieira / Agência O Dia

Ao longo dos trajetos das três provas (42 km, 21 km e 6 km), que tinham percursos ao longo da orla, do Recreio ao Aterro do Flamengo, se viu de tudo. A advogada carioca Rosângela Inchuste, 30, e seu irreverente cartaz, “Têm (sic.) gelada na chegada”, chamou a atenção, assim como a participação do índio da etnia Akarui, da tribo Tabajara, do Ceará, Raimundo Ambrósio do Nascimento, de 68 anos. “Há mais de 40 anos participo de maratonas”, disse Raimundo, que correu com trajes indígenas.

Mas nem tudo foram flores e festa. A cadeirante Carolina Zeotti, 32 anos, única deficiente física a participar da meia maratona, lamentou ter sido xingada por alguns participantes, enquanto era impulsionada pelo pai, o professor de educação física Carlos Zeotti, 60. “Muitos gritaram conosco, dizendo que estávamos atrapalhando o percurso. Fiquei muito chateada. Mas estou feliz por ter completado a prova”, comentou ela, que é turismóloga.

Carolina participou dos 21 kmAlexandre Vieira / Agência O Dia

A enfermeira Patrícia Maia, de 44 anos, de Salvador (BA), por sua vez, disse que “nunca podia imaginar que o Rio fosse tão lindo e tão acolhedor”. “Voltarei outras vezes, com certeza”, resumiu ela, que carregou uma bandeira de seu estado.

Quenianos dominam o pódio

Na categoria masculina, o queniano Willy Kimutai cruzou a linha de chegada dos 42 km em primeiro lugar. Ele se sagrou bicampeão da Maratona e determinou o novo recorde da prova — o último já pertencia a ele — com 2h14m56s. “Amei a prova, a vista é incrível”, declarou Willy.

O etíope Lemawrok Ketema, que recentemente conseguiu asilo político da Áustria, veio em seguida, conquistando a segunda posição. O Brasil chegou em terceiro lugar no pódio, com Edson Amaro, que sonha em conquistar uma vaga nos Jogos de 2016. O Quênia também conquistou o primeiro lugar no pódio feminino. Caroline Chemutai Komen confirmou o favoritismo e cruzou a linha de chega após 2h38m19s de prova. A alemã Anna Hahner ficou em segundo e a brasileira Graciete Moreira Santana conquistou o terceiro lugar no pódio.

Na Meia Maratona, a vitória na categoria masculina foi de Joseph Tiophil Panga, também do Quênia. A brasileira Joziane Cardoso da Silva levou a melhor na prova feminina, conquistando o bicampeonato dos 21 km da competição.

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