Laudo vai dizer se segundo trem foi o responsável pela morte da vítima

Responsáveis podem responder por homicídio culposo. Mãe chama de 'desumano' quem autorizou composição seguir

Por O Dia

Rio - O laudo da necropsia de Adílio Cabral dos Santos será decisivo para afirmar se ele já estava morto quando um trem da SuperVia passou sobre o seu corpo, terça-feira. As imagens captadas pelos passageiros, que chocaram a população e foram compartilhadas na Internet, mostram agente liberando a passagem da composição após autorização da própria concessionária.

Segundo advogados, se confirmado que o vendedor ambulante estava vivo, caberia aos responsáveis indiciamento por homicídio culposo (quando não há a intenção de matar). Se comprovado que Adílio estava morto, o crime seria de desrespeito ao cadáver (vilipêndio).

Eunice Souza Feliciano%2C mãe de Adílio Cabral dos Santos%2C disse que o filho estava reconstruindo a vida após cumprir pena por furto. 'E vem essa tragédia'Severino Silva / Agência O Dia

Nesta sexta-feira, familiares da vítima contestaram os R$ 2 mil dados pela SuperVia para custear o sepultamento. Em nota, a empresa afirmou que arcaria com os R$ 700 excedentes das despesas. Parentes contaram que Adílio estava solto há nove meses, após cumprir pena por furto. Ele ganhava a vida como vendedor de doces nas ruas do Rio e nos vagões do

A mãe dele, Eunice Souza Feliciano, 61, se disse “destruída” pela morte do filho de criação. “Foi desumano, terrível, vergonhoso. Um ser humano que tem família não pode autorizar uma barbárie como esta. Luto contra um câncer e meu filho ajudava com seu trabalho. Ele não foi gerado no ventre, mas foi gerado no meu coração”, disse entre lágrimas.

Élcio Silvio Feliciano Junior, 38, irmão de Adílio, lamentou o descaso. “Não trataram ele nem a gente com dignidade.” O secretário Estadual de Transportes, Carlos Roberto Osório, definiu as imagens como “revoltantes” e garantiu que irá colaborar para que os responsáveis sejam punidos.

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?A cena chocante de um funcionário da SuperVia mandando uma composição passar por cima de um corpo contou com o aval da concessionária. Segundo a empresa, apesar de lamentar a morte de Adílio Cabral dos Santos, morador do Morro da Serrinha, a decisão foi tomada para não atrasar o fluxo dos mais de 200 mil usuários do sistema ferroviário.

A concessionária afirma que verificou, antes, que o trem era mais alto do que o corpo, e que, portanto, não seria violado. A empresa alega que, a partir dessa constatação, e diante do risco de se criar um problema maior com a retenção de diversos trens, tomou a decisão, em caráter excepcional considerando que na linha havia três trens lotados (cerca de seis mil passageiros) aguardando para seguir viagem.

Na última terça-feira, um agente da SuperVia autorizou um maquinista a passar o trem sobre o corpo de uma vítima fatal de um acidente ocorrido na Estação de Madureira na terça-feira. O homem fora atropelado após acessar indevidamente os trilhos. O agente da concessionária, em vez de aguardar a remoção do corpo, dá sinal para que o trem siga viagem. O que se vê em seguida é a composição passando com todos os vagões sobre o homem morto.


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