Por paulo.gomes

Rio - Para desafogar a lista de espera por cirurgia plástica na rede pública de saúde, com casos em que a demora chega até a dois anos, mais de cem profissionais da área farão um mutirão para operar 150 pessoas em dois dias, a partir desta terça-feira. A ação vai atender somente pacientes com câncer de pele. Quinze hospitais vão aderir à campanha.

O cirurgião Sérgio Domingos Bocardo será um dos profissionais do mutirão%2C que vai operar 150 pessoasMaíra Coelho / Agência O Dia

O mutirão é parte das atividades do Seminário Internacional de Cirurgia Plástica, que será realizado em Copacabana, nesta semana. No evento, serão aguardados mais de 300 cirurgiões de diversos países. Entre as discussões, o encontro vai abordar principalmente o uso de células tronco nos procedimentos cirúrgicos.

A aposentada Iraci Bonifácio, 80, é uma das pacientes na lista para operar. Ela foi diagnosticada com câncer de pele após uma consulta da filha na dermatologista, há um ano. “Reparei que no rosto da minha mãe tinha umas pintinhas e perguntei à minha médica. Ela pediu exame e logo constatou que era câncer”, relembrou Andrea Cristina Souza, 46. Iraci já foi submetida a uma cirurgia para retirada de parte da lesão e hoje entra numa nova fase, com a operação de outros cinco sinais na pele.

Integrante da equipe de cirurgiões, o médico Sérgio Domingos Bocardo ressalta que quanto mais rápida a cirurgia for feita, em casos de câncer de pele, maior é a chance de cura. “Se o paciente for operado logo em seguida ao diagnóstico, o procedimento se torna mais simples”, apontou Sérgio, que fará neste ano, seu terceiro mutirão. “Para nós, médicos, é uma alegria poder proporcionar qualidade de vida aos pacientes”, concluiu.

Terezinha Pereira dos Santos, 72, esperou por quase dois anos para ter sua cirurgia marcada. Graças ao mutirão, o procedimento enfim vai se concretizar. “Foi uma surpresa boa para toda família saber que minha mãe seria operada”, explicou a filha de Terezinha, Maria Fátima Pereira Chaves, 55. O tratamento da aposentada começou no Hospital de Ipanema, onde ela já foi a cinco consultas e nunca recebeu uma data para operação.

Iraci Bonifácio descobriu o câncer durante consulta da filha AndreaEstefan Radovicz / Agência O Dia

Nos últimos três anos, a equipe de profissionais da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, responsável pelos mutirões, só tem se dedicado a casos de câncer. “Fazemos esse trabalho para mostrar à sociedade que cirurgião plástico não cuida só da estética. Somos responsáveis também por reconstrução da mama e retirada de lesões da pele”, explicou o presidente da Sociedade, João de Moraes Prado Neto.

Evento reúne nomes como Ivo Pitanguy

Quem já passou pelas mãos dos profissionais do mutirão só tem a agradecer. O porteiro aposentado Antônio Martins da Silva, de 63 anos, lembra exatamente do momento em que foi escolhido para ser um dos pacientes do programa. “Me avisaram em julho. No início de agosto, já estava no centro cirúrgico. Levei 22 pontos no braço, mas correu tudo bem”, explicou.

A escolha do paciente é indicada pelos hospitais que participam da ação. Nesta edição, são 15, entre eles quatro unidades federais. Para ser um dos escolhidos, é preciso já estar em atendimento pelo Sistema Único de Saúde.

A 34ª Jornada Carioca de Cirurgia Plástica será realizada de quarta até sábado, em Copacabana. O encontro reunirá grandes nomes da área, como Ivo Pitanguy, que dará palestra sobre sua técnica em mamaplastia.

Você pode gostar