Coronel da PM acusado de lavagem de dinheiro diz sofrer perseguição

Ex-comandante de Operações Especiais refuta acusações do MP, que afirma ter aval do Judiciário

Por O Dia

Rio - Réu em dois processos na 1ª Vara Criminal de Bangu por formação de quadrilha e lavagem de dinheiro, o coronel PM Alexandre Fontenelle refutou nesta quinta-feira as acusações, colocando-se como vítima de perseguição. Os alvos da ofensiva são promotores do Grupo de Atuação Especial do Combate ao Crime Organizado, do Ministério Público (MP), e agentes da Subsecretaria de Inteligência, da Secretaria de Segurança. As denúncias à Justiça incluíram as advogadas Maria Mércia Fontenelle e Maria Paula Fontenelle, mãe e irmã do oficial. O MP reagiu às declarações do ex-comandante de Operações Especiais da PM. Em nota, alega que as investigações têm o aval do judiciário.

O coronel Antônio Fontenelle alega ter renda compatível com bensDivulgação

Com contracheques e declarações de imposto de renda, Fontenelle deu coletiva no escritório do advogado Rodrigo Roca, no Centro. O oficial sustenta que ele e a mãe têm renda bruta de R$ 50 mil, o que permite a aquisição de imóveis. O MP questiona apartamento no Grajaú, avaliado em R$ 995 mil, em nome de Maria Paula, e um em Jacarepaguá, de R$ 750 mil, registrado como sendo do capitão Walter Colchone Netto, do major Carlos Alexandre Lucas e de Maria Mércia, também processados na Justiça.

“Minha mãe quis fazer esse investimento em parceria com duas pessoas que trabalhavam comigo há muito tempo. Cada um pagou R$ 60 mil. Não tem nada de errado”, diz. Ele é acusado de ter casa luxuosa em Búzios incompatível com rendimentos.

Desde o ano passado, Fontenelle enfrenta as investigações das operações Amigos S/A e Profilaxia. Em setembro, ele e mais 26 PMs, entre eles seis oficiais, do 14º BPM (Bangu), e um mototaxista foram presos e soltos em fevereiro. Eles teriam montado esquema de cobrança de propina. Fontenelle levaria os mesmos PMs para onde trabalhava. Mas rebate o processo sobre formação de quadrilha.

“Como comandante não tinha autoridade para transferência. Era prerrogativa do então chefe do Estado-Maior, coronel Pinheiro Neto”, alega, sobre a troca de policiais. Atual comandante da PM, Pinheiro diz que o Estado-Maior assessora o comandante-geral e que cabe ao comandante da unidade cumprir a lei e fiscalizar os subordinados.

AS VERSÕES

CORONEL FONTENELLE

O apartamento do Grajaú custou R$ 422 mil e foi arrendado em leilão judicial. “Não vivo em imóvel próprio”

“No processo não constam contracheques e declarações de imposto de renda.” A ação penal está parada devido à ausência de documentos relevantes que comprovam a autorização do mandado de busca e apreensão na casa do oficial.

Alega inocência e estar em defesa da família: “Posso atestar todos os meus bens. Não fui ouvido pelos que me investigaram. Ao contrário do que estão dizendo, não vivo em imóvel próprio”. Informa ser vítima de perseguição.

Sustenta que foi oferecida a quebra de sigilo bancário e não encontraram nada. Questiona como poderia ter lavado dinheiro ao qual não teve acesso. Enfatiza que não reponde pelos crimes de extorsão ou concussão (extorsão praticada por funcionário público). Rebate as acusações de que teria extorquido dinheiro de comerciantes, mototaxistas e empresas transportadoras, em Bangu.

MINISTÉRIO PÚBLICO

O apartamento do Grajaú está em nome de Maria Paula, irmã de Fontenelle, mas pertenceria ao oficial. O imóvel, que sempre teria ficado vazio, fora colocado à venda pelo preço de mercado de R$ 995 mil.

As operações Amigos S/A e a Profilaxia tiveram mandados de busca e apreensão. Foram cumpridos por promotores, coronéis e delegados. Na Amigos S/A, o processo tramita sem ter havido ilegalidade. O oficial tentou ‘trancar’ o processo, o que não foi aceito pelo TJ.

O MP alega que respeita os direitos e garantias constitucionais. No caso da operação Profilaxia, a 1ª Vara Criminal de Bangu entendeu que há suporte probatório para a instauração do processo criminal.

Todas as medidas cautelares foram deferidas pelo Juízo da 1ª Vara Criminal de Bangu, tendo havido controle judicial prévio. O juízo recebeu as denúncias e instaurou processos criminais, significando que, ao admitir as acusações, entendeu haver suporte probatório para a instauração dos processos.

Com reportagem da estagiária Clara Vieira

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