Por felipe.martins

Rio - Preso no último dia 28 pela Polícia Federal no âmbito da Operação Lava Jato, o ex-diretor-presidente da Eletronuclear Othon Luiz Pinheiro da Silva ameaçou “meter bala” nos agentes que o levaram da casa dele, no Rio de Janeiro, para a Superintendência da PF em Curitiba, no Paraná. Relatório da PF informou que Othon, suspeito de receber propinas de R$ 30 milhões, estava trancado em seu quarto no momento da prisão e reagiu com violência à chegada dos agentes.

Preso dia 28%2C Othon é suspeito de receber propinas de R%24 30 milhõesDivulgação

Ao ser alertado que a porta seria arrombada no caso da não abertura, o almirante disse que “meteria bala”. Ele também disse que merecia ser tratado com “respeito” porque era uma “autoridade”. Othon Silva é vice-almirante da Marinha, posto mais alto para engenheiros navais na corporação.

“Diante de tal afirmação, a equipe sacou suas armas e se abrigou nos demais cômodos. Pedi a todos que se preparassem, pois diante das palavras do senhor Othon Luiz Pinheiro da Silva, entendi ser necessário o arrombamento da porta. Como não dispúnhamos de ferramentas, desferi dois chutes na porta, na tentativa de arrombá-la. Neste momento, senhor Othon Luiz Pinheiro da Silva veio em direção porta gritou que ia abri-la”, relatou o delegado federal Wallace Fernando Noble Santos Soares, que estava à frente da equipe responsável pela prisão do almirante. Ele chegou a ser algemado pelos agentes durante a ação.

“Mesmo imobilizado algemado, ele continuou inquieto gritando que não podíamos agir daquela forma, que ele é um vice-almirante da Marinha que deveria haver no mínimo um vice-almirante da Marinha no local. Expliquei que a Polícia Federal estava no local para prendê-lo”, afirmou o delegado em relatório para a coordenação da Lava Jato.

Irmão de José Dirceu admite que recebeu dinheiro de lobista

O irmão do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, Luiz Eduardo de Oliveira e Silva, admitiu em depoimento prestado à Operação Lava Jato que recebeu entre 2012 e 2013 “cerca de R$ 30 mil” mensais do lobista Milton Pascowitch, responsável pelo pagamento de propinas em negócios na Petrobras. Por determinação do juiz federal Sérgio Moro, responsável pela Lava Jato na primeira instância, Luiz Eduardo teve sua prisão prorrogada ontem por mais cinco dias.

No depoimento, tomado na 17ª fase da Lava Jato, denominada “Pixuleco”, que levou Dirceu à prisão na última segunda-feira , o irmão do ex-ministro afirmou que Pascowitch lhe informava que os valores eram “a título de ajuda para despesas variadas” e que as pendências seriam “resolvidas posteriormente”. Ele não soube dizer de onde o dinheiro teria partido.

Também investigado pela Lava Jato, a defesa do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), pediu que o Supremo Tribunal Federal (STF) obrigue o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, a incluir no inquérito contra ele tudo o que foi feito pela investigação e, “especialmente”, o depoimento dado pelo empresário Júlio Camargo na Procuradoria Geral da República. No pedido, a defesa diz que Janot “sonega” aos advogados dados de investigação.

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