'Blindagem' de postes deve ajudar a evitar acidentes

Batidas contra estruturas crescem 70% nas 31 cidades atendidas pela Light

Por O Dia

Rio - Seis horas da manhã de 18 de fevereiro. Um ônibus da Viação Mauá perde o controle, bate num poste de energia elétrica, derruba um transformador e oito pessoas morrem carbonizadas no Santa Catarina, em São Gonçalo. Outras nove ficaram feridas. Colisões de veículos dessa natureza estão se tornando cada vez mais comuns. Levantamento da Light mostra que só no primeiro semestre 350 ocorrências desse tipo — duas por dia — foram registradas pela distribuidora. Em consequência, houve interrupção temporária de fornecimento de energia para 200 mil clientes e prejuízo de R$ 850 mil.

Especialistas estimam que 44% dos acidentes de trânsito, que provocam uma morte a cada 22 minutos no Brasil, sejam por batidas em geral. “Estamos preocupados, uma vez que os números nos 31 municípios em que atuamos já chegam a 70% do total de registros feitos em 2014, quando aconteceram 500 abalroamentos contra postes, deixando 240 mil famílias sem luz. O número de consumidores afetados aumentou e já atinge 83% em relação ao ano passado”, afirma André Luiz Barata Pessoa, superintendente de Serviços de Campo da Light.

Poste atingido por caminhão%3A casos como este deixam famílias sem luz. Guarda-corpos é uma das soluçõesDivulgação

Para reduzir problemas, a empresa estuda a possibilidade de convênios com as concessionárias de rodovias e prefeituras para a colocação de guard rails (guarda-corpos) ao redor de postes onde há reincidência de colisões. A concessionária pretende reforçar campanhas por direção mais segura e responsável junto a órgãos de trânsito, como o Detran e a CET-Rio.

O motivo do convênio é que quando um poste é atingido, segundo Luiz Barata, várias ações têm que ser desencadeadas. Equipes de emergência são enviadas ao local para verificar os danos e, consequentemente, avaliar que tipo de providências serão tomadas. Geralmente os serviços são complexos e demandam tempo, pois envolvem o isolamento da área afetada, a retirada do veículo e a substituição ou reconstrução do poste quebrado e de toda a rede elétrica.

Segundo Luiz Barata, em muitos casos, o trabalho depende da ação de outros órgãos públicos, como a Polícia Militar, a CET-Rio e od Bombeiros. “Quando um inquérito policial tem que ser feito, só conseguimos iniciar os trabalhos de reparo da rede após a liberação da polícia”, observa o superintendente.

Postes no meio da rua depois de obras são problema para todos

?Em muitas localidades, porém, moradores atribuem os acidentes à própria Light, devido a postes mal localizados. Alguns chegam a ficar no meio das ruas após obras de terraplenagem ou fragilizados pelo tempo. Em nota, a Light explica que isso ocorre em obras de alargamento de vias quando, “após ter sido realizado o remanejamento da rede para outro poste, na calçada, outras concessionárias de serviços públicos (telefonia ou de TV a cabo, por exemplo), avisadas antecipadamente, não realizam a retirada de suas fiações presas à mesma estrutura”. A empresa nega que todos os postes abalroados tenham que ser substituídos em caráter emergencial.

A maioria das colisões (40%) contra as estruturas de concreto armado — são cerca de 750 mil postes em 31 municípios — ocorreu na Baixada Fluminense. A empresa, que atua ainda na Região Metropolitana e no Vale do Paraíba, diz que a conversão da rede aérea para subterrânea, uma das possíveis soluções para o problema, é regulada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e se torna inviável em boa parte dos municípios, pois fatores determinantes, como densidade de carga em cada região, precisam ser levados em conta.

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