Coluna de Léo Montenegro será reeditada em livro

Textos de 'Avesso da Vida', de O DIA, foram publicados durante 37 anos. Cronista morreu em 2003

Por O Dia

Léo Montenegro%3A cronista brilhante que retratava o cotidiano do RioDivulgação

Rio - As crônicas publicadas pelo jornalista Léo Montenegro durante 37 ininterruptos anos na coluna ‘Avesso da Vida’, em O DIA, em breve estarão de volta. Sua mulher, Lídia Montenegro, e seu sobrinho, o empresário Marcelo Ramos, estão reunindo e selecionando seus melhores textos para serem publicados em um livro que promete resgatar a memória daquele que tão bem retratava o subúrbio do Rio e seus moradores. “Não é um trabalho fácil. São quase quatro décadas de textos recheados de humor”, diz Marcelo.

A primeira crônica de Léo Montenegro foi publicada na edição de 1º de maio de 1965. Léo era repórter de polícia e sua estreia na crônica ficcional se deu por acaso, quando foi convidado pelo então secretário de redação,Carlos Vinhais, para substituir um outro colunista que não havia entregue o texto conforme o combinado. Léo, então, escreveu o material, mostrou para o chefe e agradou tanto que só parou de escrever quando morreu, em julho de 2003.

Ainda sem previsão de lançamento, o livro com as crônicas de Léo Montenegro vai resgatar um personagem querido dos amantes da crônica de costumes do Rio. O cartunista Ziraldo, colega de redação de Léo e autor de mais de uma centena de livros, acredita que a nova publicação poderá fazer com que o jornalista seja finalmente reconhecido. “O livro pode surpreender e fazer com que o público descubra o talento dele”, diz o cartunista, mineiro de nascimento e carioca de coração.

Para Ziraldo, Léo era o Nelson Rodrigues do jornal O DIA, só que sem o reconhecimento que o ‘Anjo Pornográfico’ teve e tem até hoje. “Infelizmente, Léo não chegou a ser um cronista influente. Ele era muito modesto, de uma humildade tão grande que esse traço da sua personalidade impediu que ele fizesse mais sucesso fora do circuito dos leitores do DIA”.

Ziraldo diz que, após a morte do cronista, chegou a publicar alguns de seus textos no ‘Jornal do Brasil’. “Publiquei poucas, já que o JB (edição impressa) fechou logo depois. Uma pena, porque tenho certeza de que ele seria reconhecido pela qualidade do que escrevia”, recorda.

O cartunista Jaguar, que naquela época trabalhava na redação do jornal ‘A Notícia’, comemora a coletânea: “Saber que um livro do Léo vai ser publicado em breve me enche de alegria e de esperança”. Para ele, Léo era daqueles cronistas que tinham a ‘cara do Rio’. “Extrovertido, brincalhão. Só não era muito de beber. Se bebesse como eu bebia, a gente teria se encontrado muito mais nessa vida”, brinca Jaguar.

Textos inéditos também vão compor a coletânea

Reprodução da coluna de Léo Montenegro publicada no DIAReprodução

Grande parte do material do livro já está digitalizado e há textos inéditos que estavam guardados com a viúva, Lídia, no apartamento onde a família continua morando, em Copacabana.

Lídia, de 87 anos, confessa que sempre relê os textos do marido. “São doze anos de ausência, mas jamais deixei de estar perto dele através de suas histórias, sempre bem humoradas e sem vulgaridade”, diz ela, que não esconde o desejo de ver a memória de seu marido resgatada.

A viúva lembra que,em 1976, uma coletânea com algumas das melhores crônicas do marido chegou a ser lançada. Na verdade, foi um livreto, impresso em papel jornal e com a capa desenhada pelo cartunista cartunista Jaguar.

O organizador do livro e sobrinho de Léo garante que os fãs da coluna ‘Avesso da Vida’, que até hoje lembram das crônicas do seu tio, não perdem por esperar.

“A ideia é resgatar a memória do grande cronista que ele foi, resgatar sua história. Temos muito poucos registros dele na internet”, explica o empresário.

Últimas de Rio De Janeiro