Suspeito de integrar quadrilha de Playboy é morto no Juramento

Homem morreu em confronto com policiais na comunidade da Zona Norte

Por O Dia

Rio - Policiais militares do 41º BPM (Irajá) realizaram na manhã desta segunda-feira, operação na comunidade do Juramento, em Vicente de Carvalho, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Durante incursão na comunidade os PMs se depararam com vários homens armados que ao perceberem a aproximação efetuaram disparos contra a equipe de policiais. Houve confronto e um suspeito foi ferido e socorrido no Hospital Estadual Getúlio Vargas, mas não resistiu aos ferimentos.

Polícia apreendeu arma%2C munição e material para endolação de drogasDivulgação

De acordo com informações de policiais militares, o suspeito integrava o bando do traficante Playboy, da facção ADA (Amigos dos Amigos). Com ele foi apreendido um revólver calibre 45, material para embalar drogas e um rádio. O nome e a identidade do suspeito não foram divulgados pela Polícia Militar.

Ruas vazias e dez escolas fechadas na Pedreira

Dois dias após a morte do traficante Celso Pinheiro Pimenta, o Playboy, o clima no Complexo da Pedreira, em Costa Barros, é de muita tensão. Embora desde domingo 400 homens do Comando de Operações Especiais da PM tenham reforçado o patrulhamento, poucos policiais foram vistos. Mais de 6 mil alunos de dez escolas, três creches e cinco Espaços de Desenvolvimento Infantil (EDIs) ficaram sem aula na região, no entorno e na Pavuna, bairro vizinho, onde fica o Complexo do Chapadão, favela rival. Parte do comércio não funcionou, e alguns trabalharam com a porta arriada. Playboy foi morto sábado, durante operação das polícias Civil, Federal e Militar.

Nesta segunda-feira, o governador Luiz Fernando Pezão disse que após a morte de Playboy a Pedreira será pacificada e lembrou que o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, já tinha intenção de colocar uma UPP. Beltrame comentou a morte: “O Playboy é mais um bandido morto. Não vamos valorizar estes bandidos. Ele foi e daqui a pouco vai ter outro no lugar dele. Também vai chegar a vez dele”, disse. Os bandidos conhecidos como Arafat e Betinho são os prováveis substitutos de Playboy.

Na Estrada de Botafogo%2C o comércio parou de funcionar ou atendeu clientes com as portas arriadasSeverino Silva / Agência O Dia

Na Pedreira, as ruas estão vazias. Moradores temem que haja novos tiroteios e evitam circular pela comunidade. Quem passa em determinados pontos no bairro, como em acessos ao Complexo pela Estrada de Botafogo, é logo avisado para sair da região e ameaçado. Durante uma hora em que circulou em vias principais, equipe do DIA foi ameaçada três vezes.

Nas ruas havia barricadas de concreto, latões e pedras para dificultar a entrada de policiais ou de bandidos rivais. Em muros da região, muitas pichações e faixas em bares: ‘Costa Barros em Luto’. A Unidade de Pronto Atendimento (UPA), que chegou a fechar no domingo, funcionou normalmente.

Em Laranjeiras, bairro da Zona Sul onde Playboy foi criado, vizinhos do prédio na Rua Soares Cabral ainda tentam entender o destino do filho do ‘Seu Celso’, um jornaleiro falecido que trabalhava na esquina de casa. “Ele sempre foi brigão, agitado. Sempre ia ao futebol sob o viaduto com o pai. Em 1986 nos ajudou a pintar a rua na Copa”, lembrou um conhecido.


Inquérito apura se propina foi paga a PM

A Polícia Militar abriu inquérito para apurar denúncias de que policiais do 41º BPM (Irajá) estariam recebendo dinheiro do traficante Playboy para não capturá-lo. Segundo o coronel Frederico Caldas, relações-públicas da corporação, os policiais do batalhão estariam levando propina há, aproximadamente, um ano para deixar o bandido solto. “Há uma investigação em curso. A corrupção é generalizada no país, tanto que se aplica na própria comunidade que dizia que o Playboy era um benfeitor. Ele era um facínora”, disse Caldas.

O coronel criticou a ação dos agentes que deveriam estar do lado da população no combate ao crime. “ É repugnante vindo de quem tem que prezar pela segurança pública”, disse.
O governador Luiz Fernando Pezão confirmou que o cerco policial ao Morro da Pedreira vai ser mantido. Segundo Pezão, o objetivo é retirar o armamento que está dentro da comunidade.


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