Ação social não chega às UPPs

Só 8% dos recursos de programa para mudar vida de jovens de comunidades são aplicados

Por O Dia

Rio - O secretário estadual de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, cobrou nesta quarta-feira mais investimentos em políticas públicas nas comunidades com UPPs do estado. Beltrame argumentou que a segurança pública deve ser discutida junto com órgãos responsáveis por assistência social, geração de emprego e políticas para a juventude. A declaração do secretário pode ser comprovada por dados obtidos pelo DIA que revelam o governo só executou 8% do programa que levaria inclusão social e oferta de oportunidades a jovens de 15 a 29 anos das comunidades.

Dos R$ 287,3 milhões de recursos do programa ‘Caminho Melhor Jovem’, financiados pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e pelo governo do estado, até o fim de junho, o governo só tinha sido executado R$ 22,5 milhões. Elaborado em fevereiro de 2013, o programa tem término previsto para fevereiro de 2017, segundo informações da assessoria de imprensa do banco.

Dos R%24 287%2C3 milhões para o programa ‘Caminho Melhor Jovem’%2C financiados pelo BID para áreas de UPPs%2C estado executou apenas R%24 22%2C5 milhõesCarlos Moraes

Para o ex-articulador do programa na comunidade de Manguinhos, Edilano Carvalho, o projeto não teve nenhum resultado na vida dos jovens da região.“É difícil segurar um jovem de 15 e 16 anos em um programa se você diz que vai colocá-los em cursos, ajudar em sua capacitação, e depois não consegue cumprir. A comunidade foi a primeira a receber o programa, e os jovens ficaram animados. Mas depois viram que o projeto não tinha nada o que oferecer para eles”, disse. Segundo ele, o número de inscritos no programa caiu de 460 para 40.

A Secretaria de Segurança não quis se pronunciar sobre o programa. Nesta quarta-feira, ao ‘RJTV’, Beltrame declarou que “as pessoas acham que segurança pública é sinônimo de polícia”. “A polícia trabalha na consequência da violência, mas ninguém ataca a causa. Tudo desemboca na polícia”, disse.

Equipe de programa do BID pode mudar

Em nota, a Secretaria Estadual de Esporte, Lazer e Juventude, responsável pelo ‘Caminho Melhor Jovem’ desde o início do ano, informou que o valor investido até agora foi utilizado em obras nas unidades do programa, consultorias, aquisição de bens mobiliários e de informática, parcerias e em edital que premia trabalhos de jovens.

Porém, admitiu que atua para reformular a equipe do programa e que está em execução um plano de monitoramento e avaliação da iniciativa, presente também na Cidade de Deus, no Complexo do Alemão, Jacarezinho, Borel, Formiga, Complexo da Maré e Complexo da Penha. “Temos por missão fortalecer as ações que estão sendo realizadas, transformando-as em políticas de estado. Essa mentalidade implica, em alguns casos, na remodelagem das nossas atividades de mobilização”, declarou.

Já a assessoria de imprensa do BID informou que supervisiona permanentemente a execução do ‘Caminho Melhor Jovem’. Também informou que avalia que a execução do programa “vem sendo realizada de forma correta”. Apesar disso, afirmou que tem feito recomendações e também sugeriu que sejam impulsionados mais acordos com organizações da sociedade civil e empresas que atuam diretamente nos territórios para potencializar as ações.

Condições não são favoráveis

Beltrame reconheceu que o trabalho da polícia deve ser cobrado. No entanto, diz que a corporação não trabalha nas melhores condições. “Como a polícia nunca deu voto para ninguém, ela está hoje em condições logísticas não muito favoráveis. Agora todo mundo quer segurança, mas antes, lá atrás, não houve uma visão de que pudéssemos chegar a isso. A nação brasileira tem que combater a violência urbana e obviamente cobrar o trabalho da polícia”, disse.

A chegada da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) à região de Costa Barros, considerada uma das mais violentas do Rio, também foi comentada pelo secretário. De acordo com Beltrame, a região está ocupada pelo Comando de Operações Especiais (COE), após a morte do traficante Celso Pinheiro Pimenta, o Playboy, no último sábado.

“A UPP para aquela região está, sem dúvida nenhuma, planejada. Mas nós precisamos construir isso. Vão entrar agora na academia 600 policiais, mas também chegamos a uma situação onde não pretendemos mais colocar policiais expostos, ou de uma maneira vulnerável, onde não há equipamentos e que esses homens possam ali permanecer e desenvolver minimamente suas atividades”, comentou.


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