Leitores do Dia aprovam sátiras à religião: mais de 70% são contra multa

Projeto de lei visa punir quem debochar da religião alheia e associar imagens religiosas a conteúdo de cunho erótico. Valor estimado passa de R$ 200 mil

Por O Dia

Rio - Não foi só na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) que o polêmico projeto de lei que visa multar em até R$270 mil quem fizer piadas com qualquer religião recebeu parecer contrário. 71,15% de um total de 20.467 votos de leitores do Dia Online também não concordam com a proposta punitiva a quem satirizar a religião alheia. Já 28,85% dos leitores são a favor da punição.

A lei foi proposta pelo deputado Fábio Silva (PMDB), filho do pastor, empresário e ex-deputado Francisco Silva. Segundo ele, qualquer manifestação pública e cultural de satirizar ou ridicularizar dogmas e crenças de todas as religiões devem ser reprimidas.

O projeto vem em um momento de tensão entre a comunidade internacional, que sofre constantes ataques do Estado Islâmico que quer impor o islamismo como religião de todos os povos. Em janeiro deste ano, o jornal francês "Chalie Hebdo" teve a sua sede atacada após satirizar Maomé.

Viviany Beloni no protesto realizado na 19ª Parada do Orgulho LGBT de São Paulo%2C em 7 de junhoDivulgação

Ataques a adeptos do candomblé e a muçulmanos têm ocorrido com frequência no Rio de Janeiro. Só neste ano, uma criança vestida com trajes do candomble foi apedrejada na Zona Norte do Rio quando andava na rua junto a um grupo da mesma doutrina. Em junho, um médium do famoso centro espírita Lar de Frei Luiz foi encontrado morto no local, que fica em Jacarepaguá, na Zona Oeste da cidade. A polícia não descarta a intolerância religiosa como motivação para o crime. 

Militantes da comunidade LGBT também entram na discussão após trazerem uma transexual cruscificada na Parada do Orgulho LGBT, em São Paulo. Católicos e evangélicos se sentiram afrontados com a imagem da mulher nua representando Jesus.

Além do projeto cessar a liberdade de expressão do ser humano, o valor cobrado na multa é extremamente abusivo, principalmente no período de crise financeira em que o país se encontra. No entanto, a decisão negativa ainda não é definitiva. A proposta foi encaminhada para a procuradoria da Alerj, que tem cinco dias para analisar o projeto.

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