Rio - Atos em defesa do mandato da presidenta Dilma Rousseff (PT) reuniram milhares de pessoas nesta quinta-feira em diversas cidades pelo Brasil. Segundo os organizadores, São Paulo teve a maior concentração e 60 mil foram às ruas contra o impeachment e em defesa da democracia. No Rio, o protesto fechou da Avenida Rio Branco e reuniu milhares até a Cinelândia no começo da noite.
GALERIA: Manifestações por todo o país a favor de Dilma
O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), denunciado nesta quinta-feira ao Supremo Tribunal Federal (STF) por corrupção, foi um dos alvos da manifestação, que chegou a parar em frente ao escritório político do parlamentar, no Centro. A última estimativa de público da Central Única dos Trabalhadores (CUT) falou em 25 mil por volta das 19h30. A PM não divulgou números.
Três trios elétricos bancados por centrais sindicais passaram pela Rio Branco. Nos discursos, além dos coros de “não vai ter golpe”, em referência às manifestações que pedem a abertura de um processo de impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff, houve críticas à política econômica.
“A classe trabalhadora não pode conviver e não aceitará o ajuste fiscal do ministro (Joaquim) Levy”, exclamou um dos dirigentes da CUT no carro de som. A Agenda Brasil, conjunto de propostas defendidas pelo governo e endossadas pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), foi alvo de críticas.
O ato contou com a presença de políticos petistas, como o presidente do partido no Rio Washington Quaquá e toda a bancada da legenda na Câmara dos Deputados. O senador Lindbergh Farias e parlamentares do PC do B como Jandira Feghali estiveram presentes.
“Hoje o Eduardo Cunha foi denunciado ao STF por corrupção e lavagem de dinheiro”, lembrou a deputada em discurso, para delírio do público. Nas faixas, políticos do PSDB como os senadores Aécio Neves (MG) e José Serra (SP) foram hostilizados.
Movimentos estudantis como a União Nacional dos Estudantes (UNE) também criticaram a redução da maioridade penal, aprovada pela Câmara e que será discutida pelo Senado. O protesto terminou com uma roda de samba nas escadarias da Câmara de Vereadores.
Juiz Sérgio Moro vira ‘Frankenstein'
No último domingo, na praia de Copacabana, o juiz federal Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato na primeira instância, foi elevado à condição de ídolo dos que defendem a saída de Dilma do governo.
Ontem, porém, o magistrado que comanda as investigações sobre o escândalo de corrupção na Petrobras não teve o mesmo tratamento: além das vaias, virou o monstro da ficção Frankenstein, em bonecos patrocinados pelo Sindicato dos Petroleiros do Rio e pela Federação Nacional dos Petroleiros (FNP).
Ao lado deles, um boneco inflável da presidenta Dilma com a faixa presidencial — em tamanho menor do que a “réplica” gigante do ex-presidente Lula vestido de presidiário que circulou pelos céus de Brasília na manifestação anti-PT do último domingo.
“Os bonecos não são resposta a ninguém”, explicou o secretário-geral do Sindpetro Rio e da FNP Emanuel Cancella, 63 anos. “O juiz Moro está paralisando a Petrobras, está parando o Brasil inteiro. Muitas obras dependem dos royalties para serem executadas. Milhares de pessoas estão sem emprego”, afirmou Cancella, há 41 anos funcionário da Petrobras.
Segundo ele, o combate à corrupção, bandeira de Moro e de seus apoiadores, está sendo usada de forma enviesada. “Ele não investiga ninguém do PSDB, nem o governo Fernando Henrique”, reclamou.