Mulheres criam rede de apoio para levantar autoestima de quem luta contra câncer

Blog oferece desde dicas de como cuidar das perucas a truques de moda

Por O Dia

Rio - Descobrir um câncer, perder os cabelos e fazer quimioterapia não precisa ser uma experiência devastadora. Graças a iniciativas de mulheres afligidas pela doença, centenas de pacientes estão recuperando a autoestima.

Destaque na luta contra o câncer de mama, a blogueira catarinense Flávia Flores, 38, trabalha para que suas seguidoras sintam-se lindas, apesar do câncer. “As chamo de cats porque acredito que somos gatas.” Flávia conta quer quando descobriu o câncer de mama, em 2012, não encontrava nenhum tipo de site que falasse sobre cuidados com a beleza das pacientes.

Turbantes solidários%3A Flávia Flores ensina a fazer laços que valorizam a beleza de mulheres com câncerDivulgação

“Encontrava imagens horrorosas e pensava: ‘É isso? É esse meu futuro?”, recorda a moça, que não se contentou com as perspectivas sombrias e criou o blog Quimioterapia e Beleza. Nele, ela oferece desde dicas de como cuidar das perucas a truques de moda. “Estou lançando minha loja virtual com a renda revertida para o instituto homônimo ao blog, quero ajudar mais mulheres”, explica.

Outra Flávia, a Maoli, gaúcha de 28 anos, está empenhada em reduzir o peso do câncer sobre as mulheres. Dona do blog Além do Cabelo, ela teve linfoma de hodgkin em 2011 e enfrentou o mesmo problema. “Só encontrava informações técnicas. O que aprendi foi no boca a boca com amigas.”

Em 2013, quando a doença voltou, ela resolveu compartilhar o que sabia. “Mas sentia falta de vê-las. Então criamos o projeto Camaleão. Vamos a hospitais, damos aulas de turbantes, sorteamos perucas. Graças aos parceiros, a paciente não tem custo algum.”

Laço Rosa distribui perucas

A chance de ajudar motivou Marcelle e Andrea Lopes a criar em 2010 a Fundação Laço Rosa. As duas, que perderam a irmã Aline para o câncer de mama, criaram o primeiro banco de perucas humanas produzidas por uma instituição sem fins lucrativos do país.

“Quando a mulher fica careca, ela percebe que não tem como esconder a doença. Através das perucas elas se sentem vivas novamente”, afirma Patrícia Bullé, gerente da organização. “Com perucas elas podem ser a mulher que quiserem, recobram a autoestima.”

A pequena Laura Soares tem apenas oito anos de idade mas sabe a importância de um gesto simples para uma criança doente. Ano passado, Laura doou 23 cm do suas madeixas para um banco de cabelos paulista. “Doei para ajudar a fazer perucas para crianças com câncer. Quando crescer vou dar de novo”, promete.

O Instituto Nacional do Câncer, INCA, mantém um grupo de 600 voluntários que procuram garantir a qualidade de vida dos doentes. “Temos desde empréstimo de perucas e chapéus à doações de cestas básicas”, afirma Angélica Nasser, supervisora do INCAvoluntário. “Queremos que os pacientes enfrentem o câncer da melhor maneira possível e redescubram o valor da vida”, completa.

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