Mãe coloca filhos de bruços para se protegerem de tiroteio no Alemão

Imagem postada nas redes sociais chocou internautas. Registro foi feito pela mãe das crianças

Por O Dia

Rio - Vários moradores do Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio, relataram momentos de terror na manhã desta quarta-feira durante intenso tiroteio na comunidade. O jornal Voz da Comunidade publicou uma foto onde uma criança e um bebê estão deitados de bruços para se protegerem das balas perdidas. A imagem feita pela mãe das crianças chocou as redes sociais. A troca de tiros ocorreu na localidade conhecida como Chuveirinho.

Mãe coloca criança e bebê de bruços no chão para se protegerem de balar perdidas durante intenso tiroteio no AlemãoReprodução Internet


“Estava lavando roupa do lado de fora quando começaram os tiros. Corri para dentro e coloquei as crianças deitadas no chão. É constante fazer isso. De manhã, de tarde, de noite, de madrugada. Não tem hora para acontecer e ninguém aguenta mais essa rotina”, desabafou a jovem mãe.

Segundo ela, o confronto começou quando um veículo blindado da polícia passou na rua que fica atrás da casa. O tiroteio foi rápido, mas o suficiente para assustar mais uma vez a bebê. De acordo com a assessoria das UPPs, até as 20h de ontem, nenhum policial do Alemão se envolveu em tiroteio.

Segundo informações, a operação teria sido feita por agentes da Delegacia de Combate às Drogas (Dcod), mas a Polícia Civil não confirmou.

"Essa é a realidade do Complexo do Alemão. Crianças que deveriam estar na escola, brincando, assistindo desenho ou qualquer coisa que criança faz. No Alemão, não. Aqui, hoje, elas têm que se esconder de tiros, mesmo sem entender o que está acontecendo do lado de fora", publicou Rene Silva na página do jornal no Facebook.

Há uma semana, a rotina de tiroteios no conjunto de favelas deixou mais uma vítima. Uma mulher que saía para trabalhar foi atingida por estilhaços no braço. A vítima foi socorrida por policiais e passa bem.

 Este ano, segundo levantamento do portal ‘Voz da Comunidade’, 57 pessoas foram atingidas por tiros. Destas, 60% eram suspeitos de crime. De todos os baleados, 21 morreram, dois deles eram PMs, segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP).

A média de mortes por mês no Alemão chega a três casos. O DIA comparou essa média com os dados de homicídio doloso e autos de resistência de outras regiões da cidade. Na Tijuca e em Vila Isabel, as mortes não chegam à metade das do Alemão: 1,42 por mês. No Catete e em Botafogo, o registro é de 1,14, e em Copacabana, o resultado é de apenas 0,42 morte por mês em 2015.

A forma de atuação da polícia precisa mudar, de acordo com o advogado especializado em Mediação Comunitária e Direitos Humanos Pedro Strozenberg. “Não se pode jogar fora o projeto de pacificação. O Alemão precisa ser compreendido pelas autoridades como um exemplo único, logo precisa de estratégias únicas para que a frustração e a desilusão dos moradores, que esperavam dias melhores, não impeçam a construção de entendimentos. Não é possível que a sociedade não consiga transformar o Alemão”, avalia.

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