Internações por acidentes de trânsito dobram em seis anos

Impunidade dos infratores é apontada como uma das responsáveis pelo aumento

Por O Dia

Rio -  Dados do Ministério da Saúde levantados plo DIA revelam que, entre 2008 e 2014, a quantidade de internações hospitalares decorrentes de acidentes de trânsito subiu 93,74%, ou seja, praticamente dobrou e saltou de 3.689 para 7.147 pessoas internadas. O número de mortos não cresceu tanto, mas também não caiu. Em 2008, morreram 2.614 acidentados no Rio. Em 2013, foram 66 a mais (último dado disponível).

Apesar de o Ministério da Saúde não estimar o percentual dos casos relacionados à mistura de álcool e direção, especialistas acreditam que a impunidade contribui para a estatística, a exemplo do caso do empresário Ivo Nascimento Pitanguy. Anteontem, Pitanguy ganhou direito de aguardar o julgamento em liberdade, após atropelar e matar o operário José Fernando Ferreira da Silva na última sexta-feira. O Ministério Público denunciou o caso à Justiça como homicídio culposo (sem intenção de matar).

Filho de Ivo Pitanguy atropelou e matou um homem na Gávea sexta-feira. Professor Paulo César Marques critica aplicativos contra Lei Seca Reprodução TV Globo e Divulgação

“É muito importante que os culpados sejam responsabilizados corretamente na categorização do homicídio em doloso ou culposo, principalmente se a pessoa optou por ignorar as leis durante a direção. É preciso também avançar na fiscalização das ocorrências”, reflete Deborah Malta, diretora do Departamento de Promoção da Saúde do Ministério da Saúde.

ÁLCOOL É O VILÃO

Segundo ela, diferentes estudos brasileiros atribuem a ingestão de álcool como causa determinante para entre 30% e 50% dos acidentes. “Outras razões para o aumento de internações podem ser o crescimento da frota e da população e uma possível maior agilidade no socorro às vítimas, o que reduz o impacto sobre a mortalidade”, diz.

Presidente da Comissão de Trânsito da OAB-RJ, advogado Armando de Souza considera que a impunidade a aplicativos e redes sociais que ajudam os motoristas a fugir das blitzes na cidade reduz a eficácia da Lei Seca, criada em 2009 para reduzir a perigosa mistura entre álcool e direção. “O Ministério Público e a Polícia precisam investigar e essas pessoas devem ser responsabilizadas”, diz o advogado Armando de Souza.


Aplicativos contra Lei Seca

A frequência das operações Lei Seca se intensificou ao longo dos anos e a taxa de carteiras de habilitação recolhidas vem diminuindo. Em 2010, 259.823 motoristas foram abordados, dos quais 15.675 tiveram a CNH apreendida (6%). Em 2014, foram fiscalizados 371.873, com 20.897 documentos capturados (5,6%).

“É um ponto positivo que, apesar do aumento das abordagens, haja redução de autuações. Mas as causas podem ser várias, inclusive os aplicativos para ajudar a fugir das blitze”, aponta Paulo Cesar Marques, professor da área de Engenharia de Tráfego da Universidade de Brasília. O filho do cirurgião plástico Ivo Pitanguy acumulava 70 multas — 13 por dirigir embriagado — e só agora teve a CNH cassada. Até o fechamento da edição, o acusado não havia sido solto.

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