Clarissa Garotinho quer voos na base de Santa Cruz

Clarissa Garotinho apresentou projeto ao ministro da Aviação Civil, Eliseu Padilha. Aeronáutica é contra

Por O Dia

Rio - Famosa por abrigar o Hangar do Zeppelin, projetado para receber dirigíveis alemães na década de 1930, a Base Aérea de Santa Cruz, acostumada a receber aeronaves militares após a Segunda Guerra Mundial, pode ganhar vôos comerciais. O ministro da Aviação Civil, Eliseu Padilha, recebeu no último dia 27 um projeto das mãos da deputada Clarissa Garotinho (PR) para o uso comercial do espaço.

A ideia atende a pedido de empresários do setor de turismo, tendo em vista não só os Jogos Olímpicos de 2016, como também o crescimento imobiliário da Zona Oeste do Rio. “A população da Barra e Recreio tem crescido muito. Somente nos próximos meses teremos mais 11 mil novos apartamentos. A utilização da Base Aérea atenderia esta demanda e ajudaria a evitar o deslocamento de ainda mais veículos para Centro e Zona Sul em direção ao (Aeroporto) Santos Dumont”, defendeu Clarissa.

Construído para abrigar dirigíveis alemães%2C o hangar do Zeppelin passou a abrigar a Base Aérea%2C recebendo aeronaves militares a partir de 1942Banco de imagens

A utilização comercial da Base Aérea de Santa Cruz reduziria em 15 minutos o tempo gasto na ponte aérea Rio-São Paulo, que cairia para aproximadamente 30 minutos, menos da metade do tempo gasto da Barra ao Santos Dumont, por exemplo. Para a deputada, a Base Aérea atenderia também parte da demanda do Porto de Itaguaí, além de alavancar o turismo na Costa Verde, sobretudo em Angra dos Reis e Paraty.

Moradores de Santa Cruz, no entanto, veem com desconfiança a novidade. Para muitos deles, a prioridade seria investimentos em saneamento, escolas e mais postos de saúde. “Aeroporto na região é para atender os ricos. E Santa Cruz precisa de atendimentos aos pobres”, cobrou o comerciante Jeferson Silva.

Clarissa Garotinho concorda com a reclamação dos moradores, mas lembra que as demandas são complementares. “É um fato que Santa Cruz precisa de mais serviços, mas um aeroporto comercial, numa base aérea que já existe, ou seja, com investimento a custo baixo, traria mais infraestrutura para toda a região. Seria benéfico para todo mundo”, defende Clarissa.

Aeronáutica: base é estratégica para segurança aérea

O Comando da Aeronáutica informou ao DIA, por meio de sua assessoria de imprensa, que não recebeu, até o momento, nenhum documento que trate sobre o tema. “Ressaltamos, no entanto, que a Base Aérea de Santa Cruz é fundamental e estratégica para o sistema de Defesa Aérea do país e para a segurança do complexo industrial da Região Sudeste”, disse, em nota.

A comissão liderada por Clarissa Garotinho — que incluiu representantes da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH-RJ) e do Rio Convention & Visitors Bureau (Rio CVB), que representam o setor — lembrou ao ministro Eliseu Padilha, que esteve presente ao lado do secretário executivo, Guilherme Mora, e do secretário de Aviação Civil, Juliano Noman, que outras bases aéreas já têm uso misto, como o caso de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, e do Guarujá, no litoral paulista.

“O próprio Galeão, hoje Aeroporto Internacional Tom Jobim, já foi uma base aérea. O ministro ficou animado e pediu um prazo de 15 dias para apresentar um estudo técnico prévio sobre a viabilidade do projeto”, explicou a deputada. Procurado por meio de sua assessoria, o ministro não se pronunciou sobre a proposta.

Independentemente da aprovação do projeto, os aeroportos Santos Dumont e Tom Jobim deverão receber uma série de melhorias até 2016. No Aeroporto Internacional, estão previstas mais 47 posições para estacionamento de aeronaves, 26 pontes de embarque e 63 balcões de check-in, melhorando o fluxo de embarque e desembarque de passageiros.

As obras previstas para o Santos Dumont incluem a reconstrução de 75 mil metros quadrados do pátio de aeronaves, com drenagem e pavimentação. O investimento é de R$ 42,8 milhões e dará mais segurança e agilidade às aeronaves no solo.

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