Cedae adia prazo para reparo em tubulação e bairros seguem sem água

Concessionária informa que depende de outros órgãos para dar seguimento a obra em Guadalupe, na Zona Norte do Rio

Por O Dia

Rio - Mais paciência. É o que pede à população de 31 bairros da cidade a concessionária responsável pelo abastecimento de água no Rio, Cedae. Isso porque o prazo para o conserto de uma grande tubulação que se rompeu, na quinta-feira, na comunidade do Muquiço, em Guadalupe, na Zona Norte, não foi cumprido. A empresa previa que neste sábado pela manhã o reparo já teria sido feito.

A nova previsão é que o trabalho seja concluído neste domingo pela manhã. Depois de reparada a tubulação, o fornecimento de água deve ser restabelecido ao longo do dia. Em alguns locais mais altos, no entanto, é mais provável que a normalização do abastecimento ocorra em até 48 horas, ou seja, só na terça-feira.

Moradores de bairros afetados, como a aposentada Ana Presta, encheram baldes para “não passar sufoco” com falta d'águaAlexandre Brum / Agência O Dia

O que resta à população: esperar, economizar água e torcer para que a concessionária agilize o conserto. É o caso do engenheiro Almir Guimarães, 64 anos, que vive em um condomínio no Recreio, na Zona Oeste, com mais duas pessoas. Quase sem água nas caixas d'água que tem em casa, Almir espera a finalização do reparo. 

"A gente passou a economizar água. Temos juntado louça para lavar e tomado banhos mais rápidos. Lavar roupa nem pensar! Agora à tarde não está entrando água nenhuma. Água é zero! Até amanhã estaremos apenas com um resto que espero que dura até à tarde. E isso em pleno feriado... tudo piora porque as pessoas estão em casa", reclamou. 

A secretária Jaqueline Regina enviou uma foto para a reportagem mostrando o tanto de louça acumulada na pia. Ela pede agilidade da Cedaearquivo pessoal

A situação não muda na Zona Norte. A secretária Jaqueline Regina, 43 anos, está há três dias sem água. Ela vive em Irajá, próximo ao Sesi de Vicente de Carvalho e tem usado a mesma tática de acumular louça para não gastar água. Além disso, contou que tem evitado dar descarga. Segundo ela, um vizinho que mora em frente à casa dela teve que ir passar uns dias na casa da mãe porque tem um filho pequeno.

"É dificil para a populaçção. Principalmente em áreas residenciais onde vivem idosos e crianças. Eu pediria à Cedae que agilizasse o serviço para que o incômodo seja menor para as pessoas", enfatizou. 

E a razão para o atraso, segundo informou a concessionária, é a dependência de outros órgãos para que seja dado seguimento à obra. A empresa espera, inclusive, respaldo judicial para a remover imóveis, já que construções irregulares foram erguidas sobre a tubulação, no cruzamento das ruas do Encanamento e Sete de Outubro. Erigidas ilegamente, as moradias seriam o motivo para o rompimento do tubo.

Os bairros afetados foram Vila Kennedy, Deodoro, Guadalupe, Bento Ribeiro, Marechal Hermes, Oswaldo Cruz, Honório Gurgel, Rocha Miranda, Colégio, Vicente de Carvalho, Vila Cosmos, Brás de Pina, Tomás Coelho, Higienópolis, Del Castilho, Inhaúma, Méier, Eng. Novo, Caju, Sampaio, Bonsucesso, São Francisco Xavier, Manguinhos, Benfica, Ilha do Governador e Centro do Rio.

Bairros da Zona Sul, como Flamengo, Botafogo, Cosme Velho, Catete e Laranjeiras, também tiveram problemas.

Falta d'água pode chegar a 31 bairros

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