Afastados em Brasília, PT e PMDB estão mais próximos no Rio de Janeiro

Nas eleições de 2016, além da capital, partidos aumentarão suas alianças no estado

Por O Dia

Rio - Dia após dia, a cada movimento dos caciques políticos de Brasília, parece inevitável que PT e PMDB rompam e que cada um siga seu caminho nas eleições de 2018. O cenário bélico da capital federal dá lugar a uma aliança estável entre os partidos no Estado do Rio. Com poucas arestas a serem aparadas em algumas cidades, o casamento entre as legendas é celebrado pela maioria das lideranças, que preveem até o aumento dos acordos nas eleições municipais de 2016. Em cidades como Maricá e Niterói, por exemplo, novos pactos devem voltar a unir os partidos.

Na capital, símbolo maior do casamento entre PMDB e PT no estado, não há previsão de rompimento. Com cargos na administração da cidade, os petistas garantem apoio total a Pedro Paulo, nome defendido por Eduardo Paes para sucedê-lo. Nem mesmo o fato de o PMDB estar ensaiando lançar uma chapa puro-sangue, em 2016, abala a aliança dos dois partidos. Hoje, o PT tem a vice-prefeitura com Adilson Pires, que diz não ter sido comunicado ainda da intenção do PMDB indicar Rafael Picciani para vice-prefeito em 2016. Mesmo assim, garantem que irão “com Paes, para onde ele for”, como afirmou uma liderança petista.

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O prestígio de Eduardo Paes com o PT fluminense cresceu, em 2014, quando o prefeito rompeu com parte do PMDB para ficar ao lado da presidenta Dilma Rousseff (PT) em sua campanha à reeleição. Petistas são gratos a ele pela costura da reaproximação com o governo Pezão, e alguns dão como certo o retorno do partido a duas secretarias estaduais em janeiro do ano que vem.

Mas o casamento PMDB/PT na capital nas eleições do ano que vem não será perfeito. A expectativa é que um grupo petista apoie a candidatura do deputado estadual Marcelo Freixo, do Psol. O ex-governador do Rio Grande do Sul Tarso Genro (PT), fixado no Rio, encabeça o movimento dos insatisfeitos por uma “frente de esquerda”. A grande preocupação peemedebista é se o senador Romário (PSB) vai ser ou não candidato em 2016.

Faltando pouco mais de um ano para as eleições, os partidos fazem movimentos estratégicos para mapear o cenário eleitoral: na capital, o PT do município planeja reunir sua militância em breve para discutir pontos de um futuro programa de governo com Pedro Paulo. Já o PMDB vai em cruzada pelo interior do estado, cooptando novos prefeitos para legenda, em busca de facilitar o caminho para o sucessor de Pezão em 2018.

Caras 'novas' na Câmara do Rio 

PT e PMDB esperam aumentar suas bancadas na Câmara dos Vereadores do Rio com nomes conhecidos do legislativo. Pelo lado petista, um dos ‘novos’ nomes é do ex-vereador pelo PC do B Roberto Monteiro. Candidato derrotado à presidência do Vasco da Gama em 2014, ele afirma ter rompido amigavelmente com a legenda anterior.

“Vi minha vida partidária esgotada no PC do B e sou ligado ao governo Lula. Hoje, não está no meu projeto ser presidente do Vasco, mas mantemos um grupo político lá”.

No PMDB, vereadores com mandato estão migrando aos poucos para legenda. Dr. Jairinho (Pros) encabeça a lista, que também conta com Dr. João Ricardo (Solidariedade) e Paulo Messina, atualmente sem partido. Para 2016, o PMDB espera ampliar sua maioria e eleger entre 20 e 22 vereadores. Entre as novidades, Wagner Montes Filho, filho do deputado estadual e apresentador de TV, que também está a caminho do partido de Eduardo Paes.

Rio em 2016 agita Brasília

A sucessão municipal no Rio tem movimentado Brasília. No fim de agosto, uma pesquisa circulou pela Câmara dos Deputados e colocou Índio da Costa (PSD) como pré-candidato. Ele, que seria aposta do ministro das Cidades e presidente da legenda, Gilberto Kassab, para dar projeção nacional ao partido, apareceu na frente de Pedro Paulo, mas atrás de Marcelo Crivella (PRB), Romário e Marcelo Freixo (Psol).

Lideranças nacionais do PSB e do PSDB, como o senador Aécio Neves (MG), pressionam Romário para que ele se candidate à prefeitura do Rio. O tucano também tem mantido conversas com a deputada federal Clarissa Garotinho (PR), que enfrenta resistências no PSDB no Rio. Uma chapa conjunta entre socialistas e tucanos é uma possibilidade para 2016. Corre a boca pequena que o Baixinho quer indicar mais um nome para fazer parte do secretariado de Eduardo Paes. Marcos Braz, ex- dirigente do Flamengo, é seu ‘peixe’ e é o titular da pasta de Esportes e Lazer.

Marcelo Crivella é o único pré-candidato oficializado até agora para disputa, mas segue se movimentando para tentar descolar sua imagem da Igreja Universal. Ele, que já flertou com o PDT no começo do ano, conversou recentemente com o PTB de Cristiane Brasil e Roberto Jefferson, mas o papo ainda não avançou.

Alianças e pequenas divergências

Fora da capital, a ordem no PT e no PMDB é avaliar as questões locais. Em Maricá, cidade cujo prefeito é o presidente estadual do PT Washington Quaquá, o nome do vice da chapa será indicado pelo PMDB. O nome da filha do ex-presidente Lula, Lurian Silva, que chegou a ser levantado, deve dar lugar ao de Fabiano Horta — deputado federal que se tornou secretário de Desenvolvimento Econômico de Eduardo Paes. Em Niterói, o PMDB promete apoio à reeleição do petista Rodrigo Neves, mesmo com a possibilidade do secretário de Saúde e preferido de Pezão Felipe Peixoto (PDT) ser

Em Queimados, PT e PMDB em lados aparentemente opostos: Max Lemos, prefeito peemedebista, indicou Carlos Villela para sucedê-lo. Mas dois petistas prometem se digladiar para enfrentá-lo: o deputado estadual Zaqueu Teixeira e o secretário de Direitos Humanos de Queimados Ribamar Dadinho.

Em Nova Iguaçu, Nelson Bournier será candidato à reeleição pelo PMDB. Mas o PT pensa em recuperar o espaço que perdeu na cidade, que já teve como prefeito o senador Lindbergh Farias. Para isso, poderá lançar um nome próprio para disputa ou indicar o vice em uma outra chapa.

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