'Isso não vai ficar impune. Vamos processar a Marinha', diz tio de baleado

Amigos e familiares demonstraram revolta com a morte de jovem, baleado após atropelar militar da Marinha

Por O Dia

Rio - 'Não enterrem meu filho. Quero meu filho vivo”, implorou, debruçada sobre o caixão, Maria das Graças, mãe do cobrador de van Felipe Jordão da Silva Ferreira, de 21 anos.

O rapaz foi morto sexta-feira à noite por um fuzileiro naval, depois de o jovem furar um bloqueio dos militares, na Ilha do Governador, e atropelar um deles. O militar, que não teve o nome divulgado, entregou sua arma e, segundo a Delegacia de Homicídios, confessou que teria atirado no jovem. Ele não foi preso.

Mãe Manoel Messias da Silva%2C Maria das Graças se debruçou sobre o caixão do filho%3A "Quero meu filho vivo"Bruno de Lima / Agência O Dia

Felipe foi enterrado ontem, no Cemitério da Cacuia. Cerca de cem pessoas participaram do sepultamento. “Me deram uma facada. Mataram meu filho. Eu quero justiça. Ele era um rapaz bom e trabalhador”, desabafou Maria das Graças, que precisou ser amparada durante o cortejo.

A família vai processar a Marinha. “Mataram meu sobrinho como um cachorro. E mesmo quando se atropela um cachorro, a gente socorre. Foi uma execução. Isso não vai ficar impune. Vamos processar a Marinha”, afirmou o tio de Felipe, o eletricista Manoel Messias da Silva, 43. Segundo ele, ninguém da força armada procurou a família para dar assistência.

“Os parentes se juntaram para pagar o enterro. E vamos fazer o mesmo para pagar um advogado. Meu sobrinho não era delinquente e ajudava muito em casa. Ele não tinha carteira de motorista, mas isso não justifica o que fizeram”, declarou

A irmã de Felipe, Fernanda Ferreira, que estava com ele no carro no momento em que foi morto, foi ao enterro vestindo uma camisa com a foto do irmão. O pai do jovem, Fernando Félix, passou mal. Ele ainda se recupera de um derrame que sofreu há 15 dias.

A Marinha informou que foi instaurado um Inquérito Policial Militar

Jovem furou bloqueio e atropelou militar

Segundo informações de policiais do 17º BPM (Ilha), o rapaz teria furado um bloqueio da Marinha na Rua Jaime Perdigão e atropelado um soldado. Em seguida, outro militar que estava em um veículo teria atirado contra o homem, que foi atingido no pescoço por um tiro de fuzil. Ele perdeu o controle do carro e bateu contra uma árvore. O caso foi registrado na 37ª DP (Ilha) e está sendo investigado pela Divisão de Homicídios (DH).

Felipe Jordão da Silva Ferreira%2C de 21 anos%2C morreu no localReprodução Internet

O jovem estava com a irmã no carro. Ela ficou ferida e foi levada para o Hospital Municipal Evandro Freire. Segundo informações de policias, Felipe era cobrador de van. O militar que atirou contra ele foi identificado. Segundo a polícia, ele teria afirmado ser o autor dos tiros.

Em nota, a Marinha informou que os militares realizavam a sinalização de uma via durante a escolta de uma carreta e foram surpreendidos por um veículo, em alta velocidade, que furou o bloqueio militar e atropelou um dos militares na Ilha. O outro soldado, que também realizava a escolta para o transporte de um blindado do Corpo de Fuzileiros Navais, reagiu disparando um tiro contra o veículo que furou o bloqueio.

A Marinha informou ainda que foi instaurado um IPM (Inquérito Policial Militar) para apurar os fatos. O segundo-sargento fuzileiro naval Wanderson Almeida Noia de Oliveira, que foi atropelado, foi levado para o hospital Naval Marcílio Dias, onde está em observação.

A DH informou que a arma do militar que aitoru contra o jovem foi apreendida para confronto balístico. 

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