Linhas intermunicipais de ônibus têm rotina de apreensão de drogas e armas

Frequentes, ocorrências policiais em coletivos são provas dos riscos aos quais passageiro ficam expostos

Por O Dia

Centro de Controle da Rodoviária Novo Rio%3A auxílio à segurançaDivulgação

Rio - No fim da manhã de quarta-feira, uma mulher de 28 anos foi presa por policiais militares na Via Dutra, na altura de Piraí, no Sul Fluminense, num ônibus da Viação Cidade do Aço que fazia a linha Rio-Volta Redonda-Barra Mansa, com dez quilos de maconha escondidos na bagagem. No dia 18, agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) apreenderam na mesma rodovia, em Pinheiral, mais de 700 pinos de cocaína e quatro quilos de maconha. O material estava com um homem de 32 anos, que viajava num ônibus que fazia a linha Nova Iguaçu-Volta Redonda. Outro bandido armado conseguiu fugir.

No último dia 30, o policial militar Diego Oliveira foi preso em flagrante por porte de arma restrita, depois que uma granada de efeito moral em seu poder explodiu, no interior do ônibus da Viação Cidade do Aço, placa KNO-6563, na Rodoviária Francisco Torres, em Volta Redonda. O incidente causou ferimentos nas mãos do PM e assustou 0s 20

Frequentes episódios como esses são provas de como os passageiros que utilizam as estradas e rodoviárias do interior do estado ficam expostos a riscos impostos por criminosos. A maioria das vias não conta com estrutura de segurança.

As estatísticas comprovam que os coletivos e seus pontos de partida e chegada tornaram-se rotas de medo, com traficantes e assaltantes a bordo. Do dia primeiro de janeiro deste ano ao dia 31 de agosto, a PRF apreendeu 6,4 toneladas de maconha nas rodovias —boa parte, em ônibus intermunicipais —superando os anos de 2013 e 2014 juntos, quando não passaram de 5,1 toneladas. A apreensão de cocaína já chegou este ano a quase 300 quilos, metade dos dois anos anteriores somados.

“Nós nos tornamos reféns dos criminosos. As rodoviárias de Barra Mansa, Resende e Volta Redonda, por exemplo, são abertas e a circulação de pessoas é livre, do bem e do mal. Nem os terminais e nem as empresas têm, ao menos, detectores de metais”, desabafa um motorista da Cidade do Aço.

Procurada pelo DIA a direção da empresa não se pronunciou sobre o assunto. As rodoviárias, por sua vez, argumentam que contam com câmeras de monitoramento e que estudam a adoção de detectores de metais e outros aparatos de segurança.

Em oito meses, 80 armas

Por dia, 20 assaltos em ônibus ocorrem no estado, 95% deles na Região Metropolitana. Na capital, esse tipo de delito aumentou 79%. Mesmo enfraquecido, o Grupamento de Policiamento Transportado em Ônibus Urbano (GPTOU), com pouco mais de 140 PMs, tem sua importância: nos quatro primeiros meses do ano foram presos 94 adultos, apreendidos 20 menores, um revólver e 85 cargas de drogas em ônibus.

O 28º BPM (Volta Redonda) é recordista em ações, com a apreensão de 300 cargas de drogas em coletivos, 70 armas e prisão de 350 suspeitos desde janeiro. “Não daremos trégua”, avisa o comandante do 28º BPM, tenente-coronel Luiz Cláudio Régis.

Em oito meses, mais de mil munições e 80 armas foram achadas em veículos nas estradas federais do Rio. “As blitzes nos trajetos entre cidades são essenciais”, diz o advogado Jânio Silva, 36 anos, que quatro vezes por semana viaja de ônibus entre Barra Mansa e Rio de Janeiro.

Novo Rio fica entre o céu e o inferno

Na Rodoviária Novo Rio, uma rotina de céu e inferno. Nas imediações, por onde passam 50 mil pessoas por dia, assaltos imperam. Foram 76 ataques a ônibus em três meses e centenas a pedestres. A Secretaria municipal de Transportes alega não ter ingerência sobre segurança.

Dentro da rodoviária, o Consórcio Novo Rio investe boa parte dos R$ 50 milhões em melhorias, em tecnologias para auxiliar as forças de segurança. O terminal já conta com 55 câmeras ligadas ao Centro de Controle Operacional e 30 homens na vigilância, inclusive a paisana, em apoio ao Batalhão de Policiamento em Áreas Turísticas (BPTUr).

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