Passarelas de Caxias são um risco constante para pedestres

Falta de piso, ferrugem, ausência de grades de proteção, rampas esburacadas, risco de explosão, lixo e escuridão

Por O Dia

Rio - A morte do comerciante Bernardo Barros Sobrinho, de 61 anos, no último sábado, ao cair de uma passarela sobre a linha férrea, em Duque de Caxias, teve cara de fatalidade. Mas apenas para quem não precisa, no dia a dia, usar as travessias sobre via férrea no município da Baixada Fluminense.

A equipe do DIA esteve nesta segunda-feira na cidade e o cenário é de completo abandono. As passarelas mais bem conservadas estão completamente enferrujadas. Este, vale repetir, é o melhor cenário. O pior é assustador. E fica bem no Centro de Caxias.

No quarteirão estão instalados o Ministério Público, a Defensoria Pública e o Fórum da cidade. Ao lado de onde está sendo construída a 59ª Delegacia de Polícia, a passarela que liga a Rua Prefeito José Carlos Lacerda à Almirante Tamandaré e à Avenida Leonel Brizola, o estado é lastimável. 

Passarelas abandonadas são um risco para a população que depende delas para fazer travessiaErnestto Carriço / Arte O Dia

Não há grades nas rampas de acesso, que é esburacada, nem passarela propriamente dita, pois não existe piso. Os moradores precisam se equilibrar nas vigas metálicas enferrujadas para fazer a travessia. O risco de queda é iminente, e não há outro local nas próximidades onde se possa atravessar em segurança. 

Por falar em segurança, ainda há avisos espalhados pela CEG (Companhia Estadual de Gás) pedindo aos moradores para não fumar no local ou fazer escavações, pois por ali passam dutos de gás natural. Mas há vários locais queimados por fogueiras feitas por moradores de rua da região. Ou seja, ainda há risco de explosão. 

O catador de latas Cristiano Barreira da Costa faz a arriscada travessia todos os dias%2C bem próximo ao prédio do Ministério Público%2C à Defensoria Pública e ao FórumErnestto Carriço

“Acho que sou equilibrista. É preciso coragem para atravessar. Coragem que os governantes não têm. Duvido que o prefeito ou o governador façam essa travessia. Eles nem sabem que ela existe, que a gente existe”, contou o catador de latas Cristiano Barreira da Costa, de 29 anos, rindo da própria desgraça. “Tem outro jeito, parceiro? É a vida”, lamentou. 

O estudante Felipe de Oliveira Pires, de 15 anos, faz pior. E atravessa o que era para ser a passarela empurrando sua bicicleta. Sem medo de cair, num ato extremo de irresponsabilidade juvenil. Mas não há outra alternativa para o

“Só tenho este jeito de atravessar. É uma vergonha o estado não apenas desta, mas de quase todas as passarelas da cidade”, protestou o estudante. 

E não é preciso ir longe para ver que ele tem razão. Na Vila Leopoldina, a estrutura para acesso a pedestres está caindo as pedaços, literalmente. Parte do reboco e das grades de proteção volta e meia desabam sobre as casas que ficam sob o local da travessia.

“Fica um jogo de empurra danado. A SuperVia põe a culpa na prefeitura, que bota no estado, que, por sua vez, bota na prefeitura e na SuperVia. Eles só aparecem na hora de cobrar o IPTU”, reclamou o morador Wanderley Isidoro, 55.

O secretário estadual de Transportes, Carlos Roberto Osório, reconheceu o problema e prometeu uma vistoria ainda este mês em todas as passarelas sob responsabilidade do estado, como estas mostradas pela reportagem do DIA, e também a do Centro de Caxias, onde Bernardo morreu no sábado.

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