Rock in Rio das Pedras: Evento em comunidade é contra ingressos caros

Festa 'paralela' e gratuita na comunidade da Z. Oeste é uma forma de protesto aos preços absurdos na Cidade do Rock

Por nicolas.satriano

Rio - 'Somos meros e pobres mortais e não temos grana para pagar o megaevento internacionalmente conhecido de rock que também toca axé e pagode’, diz a chamada na Fanpage do Facebook. É, isso é o que se pode chamar de rock alternativo.

Sem dinheiro para pagar os ingressos caros de um dos maiores festivais de música do planeta%2C ElvisFelipe%2C Léu Oliveira e Paulo Henrique criaram o evento paraleloBruno de Lima / Agência O Dia

Com esse lema comprido como um bom solo de guitarra, o Rock in Rio das Pedras vai mostrar os principais shows do ‘concorrente’ mais famoso em telão, nos mesmos dias, entre 18 e 27 de setembro, na Praça do Pinheiro, onde funciona o Cine & Rock. Após os astros, 24 bandas da favela, bairros adjacentes e até de outros municípios, como São Gonçalo e Macaé, farão a festa da galera rock’n’roll.

Com o ingresso para a Cidade do Rock a R$ 175 a meia entrada, esgotada, o Rock in Rio das Pedras será gratuito, como tudo que o Movimento Cultural Cine & Rock organiza. “Somos uma crítica ao original, que é extremamente caro. Dizem que é acessível, mas quem mora na periferia não tem condições de pagar”, afirma Léu Oliveira, um dos idealizadores do Cine & Rock.

“O Rock In Rio é um evento para a elite: para pegar o ônibus próprio é caro, para comer é caro, se quiser comprar uma lembrança é muito caro.” Em contrapartida, quem for a Rio das Pedras não paga nada. “E se quiser comer tem x-tudo por R$ 4, com copo de suco”, convida Léu. “A galera pode vir se divertir e celebrar, a Cidade do Rock é aqui, sem MPB e axé.”

Rock in Rio já tem acampado

Se ser o primeiro a chegar ao Rock In Rio garantisse medalha, o designer Adriano Camilo Vieira, 29, teria três. Ele, que é morador de Campo Grande, está desde sábado acampado na porta da Cidade do Rock. “Todo emprego que eu pego, passo da experiência e aviso logo aos diretores para me darem férias durante o Rock in Rio”, afirma.

Adriano Vieira está acampado na Cidade do Rock desde sábado. Ele aguarda ansioso pelos shows do dia 24 e guarda vaga para mais 30 amigosBruno de Lima / Agência O Dia

“Este ano meu patrão me liberou, se não liberasse, ia me perder”, garante ele, que guarda vaga para mais 30 amigos do Brasil inteiro. “Eles ainda não puderam vir, os patrões não entendem.” Todos são fãs do ‘System of a Down’, que toca dia 24. “São incríveis! Por eles fico no sol, na chuva, no frio. Tudo vale a pena!”. 

Contrato renovado até 2019

E já tem Rock in Rio confirmado para para 2017 e 2019! O prefeito Eduardo Paes assinou nesta terça-feira a renovação do contrato com Roberto Medina, presidente do festival. Paes voltou a pedir que os espectadores usem o transporte público. “A única maneira de chegar é de ônibus.” Nem táxis poderão chegar perto, muito menos carros.

Haverá BRTs saindo do Alvorada em direção à Cidade do Rock. Na ida, o passageiro receberá pulseira que valerá para a volta, em ponto próximo. O bilhete custa R$ 6,80. Quem não tiver RioCard paga mais R$ 1. Linhas de ônibus especiais sairão de 16 pontos com hora marcada, parando no Riocentro, a R$ 70.

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