Draco realiza operação contra bando que tentou criar uma milícia no Alemão

Investigações apontam que quadrilha, liderada por um advogado, extorquia comerciantes da comunidade

Por O Dia

Rio - Agentes da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e de Inquéritos Especiais (Draco/IE), fizeram nesta quinta-feira operação para combater a quadrilha que tentava estabelecer uma milícia no Complexo do Alemão, na Penha, ocupado desde 2010 pelas forças de pacificação. Morador do Leblon, na Zona Sul, e apontado como o chefe do grupo, o advogado A.L.D.M. foi preso.

No escritório dele, no Rio Comprido, a polícia encontrou munições de pistola sobre a mesa de trabalho. O bando, segundo investigadores, lucrava mensalmente cerca de R$ 500 mil. As investigações começaram em dezembro. O advogado, que responde por posse ilegal de munição e associação criminosa, infiltrou o grupo na comunidade Nova Brasília após expulsar um pastor evangélico de seu galpão, em 2012. O religioso deixou a região apenas com a roupa do corpo e denunciou o caso.

O local, considerado como o ‘QG’ da quadrilha, passou a ser utilizado como base das atividades criminosas. Na época, o espaço foi explorado como estacionamento e gerava uma renda mensal de R$ 20 mil para o grupo. Atualmente, o lucro no estacionamento estava em torno de R$ 250 mil mensais.

Agentes da Draco realizam operação em diversos pontos do Rio de Janeiro contra uma quadrilha que tentou implementar uma milícia no Complexo do AlemãoDivulgação

Além dele, o bando era composto por outras seis pessoas. Um soldado da UPP Borel é um dos suspeitos. Parte dos acusados são parentes do militar. Eles vão responder em liberdade. Alguns ainda serão indiciados por roubo e extorsão qualificados. Todos foram denunciados pelo Ministério Público sob acusação de integrar a quadrilha armada.

Segundo o delegado da Draco, Luiz Augusto Braga, a quadrilha extorquia comerciantes locais cobrando taxas por serviços clandestinos de segurança, que somavam R$ 20 mil mensais, além de percentuais pela locação de academias e lanchonetes, na ordem de R$ 30 mil por mês.

“Eles também cobravam taxas de motoristas de transporte alternativo. Estavam articulando a quadrilha, mas não chegou a ser caracterizada como milícia, pois havia pouca arma e integrantes”, disse.


Nem a presença da polícia inibiu

Para o delegado Luiz Augusto Braga, a quadrilha demonstrou ousadia ao tentar montar uma milícia no Complexo do Alemão. “Não quiseram saber se a comunidade estava ocupada (pela polícia). Lá, há um policiamento ostensivo. Me surpreende também que o chefe da quadrilha seja um advogado. Geralmente é comum algum dar assistência jurídica a criminosos. Isso é novo para a Draco”, afirmou.

Apesar de ter UPPs há quatro anos, moradores do Alemão enfrentam constantes tiroteios de traficantes que resistem à presença da polícia.  Nes quinta, começaram a ser cumpridos 33 mandados de busca e apreensão em 12 bairros do Rio, Baixada Fluminense e Mangaratiba para desarticular a associação criminosa.

Com o apoio da Polícia Civil, Ministério Público e Corregedoria da Polícia Militar, agentes estiveram no Leblon, Centro, Rio Comprido, Santa Cruz, Barra da Tijuca, Recreio, Bonsucesso, Irajá, Pavuna, Penha, Olaria, Madureira, Duque de Caxias e Mangaratiba.

O material apreendido será analisado pela Justiça. “Embora não haja registros de homicídios praticados pelo grupo, eles agiam com violência. Ameaçavam quem não pagava as taxas exigidas. Mas isso era até difícil de acontecer”, disse o delegado.

Últimas de Rio De Janeiro