OAB denúncia grupo que prega cartazes disseminando ódio e preconceito

Vertente da Ku Klux Klan, grupo diz que está 'de olho' em gays, negros, judeus, muçulmanos, comunistas, entre outros

Por O Dia

Rio - Cartazes que pregam ódio e intolerância foram colocados em várias partes de Niterói, Região Metropolitana, no último fim de semana. Neles, um grupo intitulado "Imperial Klans of America Brasil" diz que está "de olho" em negros, gays, judeus, muçulmanos, comunistas, anarquistas e até em traficantes, pedófilos e "antifas" (termo usado para se referir a quem é contra o facismo). O grupo, cujos membros são desconhecidos, seria uma vertente da Ku Klux Klan, organização racista dos Estados Unidos, que, entre outras coisas, acredita na supremacia branca.

Morador do município, o advogado Rodrigo Mondego, 30 anos, membro da Comissão de Direitos Humanos da OAB, denunciou a ação em sua conta no Facebook, após cartazes serem vistos no Caminho Niemeyer, próximo ao Plaza Shopping. "Eram pelo menos seis tipos. Um convocava as pessoas a agirem contra o que eles chamam de 'corja da sociedade'. Outro, que tinham a imagem de um homem parecido com o deputado Jair Bolsonaro mais jovem, pedia a participação das pessoas", descreve.

Segundo ele, os cartazes foram colocados na madrugada de sexta para sábado, mas já foram retirados. "Não procuramos a polícia pois descobrimos que grupos antifacistas foram lá e rasgaram os cartazes, destruindo as provas", afirmou o advogado, lembrando que o caso configura crime, previsto na lei nº 7.716, de 5 de janeiro de 1989, da Constituição Federal.

Segundo a Polícia Civil, até o momento, não há registro de ocorrência com essas características na 76ª DP (Niterói).

Esta não é a primeira vez que a ação de grupos que disseminam ódio e intolerância é registrada em Niterói. Em 2014, segundo o advogado, dois rapazes que portavam mochilas com o símbolo da suástica e que se autointitulavam nazistas atacaram duas alunas do campus Gragoatá da UFF. "Na época, nós procuramos a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher de Niterói, mas o caso não foi para frente pois não ficou comprovado o estupro", denuncia Mondego.

O município ainda contabiliza outros casos, como o ataque á sede do Grupo Diversidade Niterói (GDN), em fevereiro do ano passado. Na ocasião, vândalos invadiram o imóvel da entidade que há mais de dez anos luta contra a homofobia no município e que também organiza a Parada do Orgulho LGBT. Arquivos foram destruídos, paredes foram pichadas com expressões homofóbicas e ninguém foi preso.

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