Por nicolas.satriano

Rio - Acusado de torturar a filha de 7 anos, um advogado de 48 anos foi preso, nesta quarta-feira, na sede da Delegacia da Criança e Adolescente Vítima (DCAV), na Avenida Francisco Bicalho, 250, após depor sobre agressões contra a menina. De acordo com a investigação policial, a criança era submetida a intenso sofrimento físico e mental como forma de castigo dentro do apartamento onde vivia com o pai, em Copacabana, na Zona Sul do Rio. 

A Polícia Civil chegou ao homem depois que a síndica do condomínio que o magistrado morava ouviu gritos e acionou a Polícia Militar. No dia, o advogado se recusou a abrir a porta do imóvel e a síndica registrou queixa na delegacia do bairro. Em seguida, o caso foi encaminhado à DCAV.

Segundo a delegada titular da especializada, Cristiana Onorato Bento, ela recebeu e ouviu na sede um pedreiro, a síndica e o porteiro do condomínio para consolidar a denúncia. "Ele batia e xingava a menina, a chamava de piranha e vagabunda, mesmo sabendo que ela tinha apenas 7 anos. O vizinho ouviu a criança dizer: "Papai, quero saber quanto é oito menos sete" e ele respondia com gritos e agressões. A criança estava com o rosto todo marcado. Por causa das agressões, ela hoje tem bloqueio e quase não fala", detalhou a delegada. 

O homem morava sozinho com dois filhos, a menina e um garoto de 5 anos. A mãe está trabalhando temporariamente no Paraná. Agora, a Polícia investiga se ela era conivente com as agressões. "Há registros de lesão corporal dele contra a mãe no ano passado. O homem tem um perfil tão agressivo, que constam contra ele 20 registros por agressão e injúria, por exemplo", acrescentou Cristiana.

As duas crianças foram encaminhadas à casa de uma família substituta, que tem a guarda provisória da menina e do menino. O advogado está preso preventivamente por 30 dias e nega as agressões contra a própria filha. O advogado alega que, por ser de religião protestante, não seria possível xingar a filha porque não falava palavrões. 

Você pode gostar