Por nicolas.satriano

Rio - Escanteados por seus partidos, o deputado federal Glauber Braga (PSB-RJ) e o vereador Leonel Brizola Neto (PDT) estão de malas prontas para se filiar ao PSol. Mas enquanto Glauber foi recebido de braços abertos pelos futuros companheiros, Brizola Neto enfrenta forte resistência dos psolistas cariocas e fluminenses. A Executiva Nacional do PSol pretende se pronunciar sobre as duas novas aquisições até o fim desta semana.

O nome de Glauber já foi referendado pela Executiva Estadual na segunda-feira. Alijado do PSB pelo senador Romário, comandante da legenda no Rio, Glauber espera disputar a prefeitura de Nova Friburgo, seu curral eleitoral, pelo PSol nas eleições de 2016.

O nome do vereador Brizola Neto enfrenta fortes resistências junto à Executiva Municipal do PSolCarlo Wrede / Arquivo Agência O Dia

Desde o começo do ano, ele é fotografado ao lado da bancada psolista na Câmara na defesa de bandeira históricas da legenda, como o fim do financiamento empresarial de campanhas eleitorais e contra a redução da maioridade penal. Glauber vem sendo reiteradamente elogiado em sabatinas realizadas com militantes, e teve seu nome aprovado por unanimidade pela executiva estadual.

A entrada de Leonel Brizola Neto no PSol enfrenta resistência, mas não maior do que seu desgaste político no PDT, legenda que o avô ajudou a fundar e foi maior expoente. Seu atrito com o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, é antigo. Tanto que o ex-ministro do Trabalho do governo Lula chegou a processar o vereador.

Sem o comando da legenda no Rio há dois anos, Brizola soube que o PDT não iria expulsá-lo, mas impediria sua candidatura à reeleição nas eleições do ano que vem. Ele decidiu, então, aceitar o convite para ingressar no PSol feito pela Executiva Nacional. Seu nome foi, no entanto, nome vetado pela Executiva Municipal.

A corrente majoritária do PSol no Rio, a Insurgência, não aprovou a indicação do nome de Brizola Neto para a legenda. Mas ele tem o apoio de lideranças nacionais da legenda, que é comandada pela Unidade Socialista, rival da Insurgência, e composta por nomes como os do deputado Ivan Valente (SP) e do senador Randolfe Rodrigues (AC).

'Meu avô, se jovem, seria do PSol'

1. O que seu avô diria da sua saída do PDT para o PSol?

O Leonel Brizola jovem com certeza seria filiado ao PSol. Porque hoje é o partido dos direitos humanos, onde estão os jovens. É o partido que defende uma política justa e igualitária. Meu avô saiu do antigo PTB quando viu sua traição e criou o PDT. Hoje, essa direção traiu os ideais dele. Para manter viva a chama do Brizolismo, estou saindo.

2. Embora popular entre os jovens, o PSol enfrenta resistência de um eleitorado mais conservador aqui no Rio.

Marcelo Freixo, ao defender os direitos humanos, enfrenta o mesmo preconceito que o meu avô enfrentou quando foi governador e quis colocar ônibus para levar a população da Zona Norte até a Zona Sul. O que a gente vê hoje nas praias é o resultado do esquecimento do projeto do Brizola e do Darcy Ribeiro, dos Cieps. Se os governos não tivessem desmantelado o horário integral nas escolas, não teria esse tanto de jovem perambulando pela rua.

3. Seu partido é da base do governo do prefeito Eduardo Paes, do Pezão , ambos do PMDB e da presidenta Dilma Rousseff. Qual avaliação o senhor faz?

Se aliar com Sérgio Cabral, Eduardo Paes e Eduardo Cunha é a antítese do que era política do meu avô. Eles apoiam o fechamento de escola, são truculentos, violam direitos humanos, segregam a cidade. O PDT passou a pensar só em cargos e se tornou um partido doente atualmente. Hoje, há muita gente que ainda é Brizola, mas não é PDT.

4. Essas pessoas ‘serão’ PSol?

Com certeza. É um partido limpo, democrático, o único que está fora dessa aliança espúria com o PMDB e dá chance para o parlamentar agir. Ainda estamos vendo com o departamento jurídico sobre a data de filiação. 

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