Por nicolas.satriano

Rio - Os cartazes de conteúdo racista que apareceram colados em Niterói, no fim de semana, com ameaças a negros, muçulmanos, comunistas, judeus e outras minorias, são mais uma demonstração real de um problema que se esconde no mundo virtual.

Investigações da Delegacia de Repressão a Crimes de Informática (DRCI) apontam que a internet é o território preferido para trocas de mensagens e literatura neonazistas e de grupos que pregam uma suposta superioridade de brancos sobre outras etnias. Os panfletos no Caminho Niemeyer eram assinados com símbolos da organização racista americana Ku Klux Klan.

De acordo com o titular da especializada, Alessandro Thiers, que investiga há mais de dois anos grupos neonazistas na internet, a legislação é frágil.

“Temos vários procedimentos sobre esse assunto, porém, o que sentimos é que os legisladores precisam mudar as leis para que nem a polícia, nem o judiciário passem para a sociedade uma sensação de impunidade”, comentou Thiers.

Segundo o delegado, a quebra de sigilo de dados precisa contar com informações passadas por meio da colaboração dos provedores de internet, o que nem sempre é um processo simples e rápido. “Quem cria essas páginas e também quem compartilha e comenta, se ficar provado que incorreu em racismo ou apologia à violência, será responsabilizado”.

Há dois anos, também em Niterói, cinco jovens foram presos depois que dois deles foram acusados de agredir um nordestino em frente à Estação das Barcas. No carro deles foram encontradas três facas, além de um taco de beisebol, bandeiras com a suástica (símbolo do nazismo) e material de apologia ao regime.

Condenados a três anos de prisão, eles tiveram as penas trocadas, no mesmo dia da sentença, por prestação de serviços comunitários e proibição de frequentar bares à noite. Na defesa, os jovens argumentaram que iam para um churrasco debater a Segunda Guerra Mundial. Mesmo não aceitando os argumentos, o juiz do caso deu a eles o direito de responder ao processo em liberdade.

Terrorismo de extrema direita

Na época das grandes manifestações de rua, em 2013, cartazes e pichações foram vistos na Lapa e outras regiões do Centro do Rio, assinados por uma organização chamada Combat 18, que usa a sigla ATB. Segundo as investigações da polícia, é a abreviação de Aryan Terror Brigade, ou Brigada do Terror Ariano na tradução para português, uma facção neonazista da Europa.

“Alguns desses grupos usam o número 88, uma abreviação de ‘Heil Hitler!”, já que H é a oitava letra do alfabeto. Outros empregam o número 18, em uma alusão às iniciais e Adolf Hitler”, explica o jornalista e mestre em Relações Internacionais Eduardo Szklarz, autor do livro ‘Nazismo - Como ele pôde acontecer’.

De acordo com o historiador e professor da pós-graduação da Universidade Castelo Branco Márcio Vasconcelos, o crescimento da ultra-direita é, de certa forma, esperado no Brasil. “A História é cíclica e mostra que toda vez que um governo de esquerda está há muito tempo no poder, como temos no país, com conquistas sociais, a direita se reestrutura e ganha adeptos como oposição. Intimidações, ameaças, violência e xenofobia são características desses movimentos”, pontua o historiador.

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