Por nicolas.satriano

Rio - A ação dos bandidos nas praias uniu a cidade pelo medo. Os arrastões do último fim de semana e os indícios de mais violência no próximo afastaram os cariocas do programa predileto de quem mora no Rio: ir à praia. Se quem mora em Cascadura ou Engenho de Dentro, na Zona Norte, não pretende atravessar o túnel, os que vivem em Copacabana e Ipanema, na Zona Sul, nem de casa querem mais sair.

Moradora de Copacabana e frequentadora das areias da Princesinha do Mar, a advogada Rosi Santaguida, de 38 anos, já definiu o programa do próximo final de semana: ficar em casa com o marido e o filho de 15 anos assistindo às séries de TV. Sair de casa, só se for de carro para ir ao cinema em outro bairro. “Adoro ir à praia, mas não vou mais. Se não houver prevenção para evitar essa violência, a tendência é piorar no verão”, teme. 

Morador de Copacabana%2C Alan Agra já decidiu%2C com as filhas Julianna e Marianna%2C trocar a praia do fim de semana por clube e casa de veraneio para evitar a violênciaJoão Laet / Agência O Dia

O motorista de transporte escolar Alan Agra pediu às filhas, uma de 20 e a outra de 22 anos, para não irem mais à praia. A ideia dele no próximo verão é alugar uma casa na Região dos Lagos. Para evitar tumultos, Alan deixou de ir à praia em Copacabana, onde mora, e passou a frequentar um clube perto de casa. Foi assim que escapou dos ataques no sábado. “Infelizmente estamos com a liberdade de ir e vir limitada”, diz Alan.

Planejar o que fazer nas férias escolares é o que todo estudante faz. Mas, os filhos da dona de casa Simone Novaes Cordeiro, de 40, os moradores de Cascadura, William Davi, de 18 anos, e Lethícia Simone, de 16, já sabem o que não pretendem fazer: ir à praia na Zona Sul. Para se divertirem e se refrescar no verão que promete ser um dos mais quentes dos últimos tempos, eles vão ficar no banho de mangueira no quinta de casa até que a mãe arme a piscina.

A partir de agora os finais de semana na casa de Mira Meireles Dias, de 67, no Engenho de Dentro, serão de casa cheia. É que a família da aposentada já decidiu trocar a praia pela piscina que ela acabou de armar. “A gente sabe que o o negócio não está fácil. Já que vimos o que aconteceu vamos evitar ir à praia. Tenho netos e aqui em casa é mais seguro. Terei um pouco mais de trabalho, mas eu prefiro.”

Nas redes sociais, grupos planejam fazer uma Farofaço em Copacabana no próximo fim de semana. O ato é contra o preconceito nas praias. Cerca de 2.800 pessoas teriam confirmado presença até a noite desta terça-feira. 

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