Enterro de menino morto no Caju é marcado por protesto e bombas

Presença de policiais militares na porta de cemitério deixou moradores indignados. Sargento foi apedrejado na cabeça

Por O Dia

Rio - Uma confusão generalizada transformou a entrada do Cemitério do Caju, na Zona Norte, numa praça de guerra. O conflito entre moradores da comunidade do Caju e policiais militares interrompeu a cerimônia de sepultamento do menino Herinaldo Vinícius de Santana, de 11, na tarde desta quinta-feira. A criança foi morta com um tiro no tórax, nesta quarta-feira à noite, na Favela Parque Alegria, quando saía de casa para comprar um bolinha de pingue pongue. 

Moradores da comunidade que estiveram no enterro protestaram contra a morte e, indignados com a presença de policiais militares na entrada do cemitério, jogaram pedras e bolinhas de gude nos PMs. Os policiais revidaram com bombas de gás lacrimogênio e balas de borracha. Um dos policiais foi atingido de raspão na cabeça, mas passa bem.

Com cartazes%2C moradores protestaram contra a morte de menino assassinado na Favela Parque Alegria%2C no CajuDaniel Castelo Branco / Agência O Dia

"Um grupo de pessoas jogou de tudo: pedras e bolas de gude. Felizmente, pegou de raspão na minha testa", disse aliviado o sargento André Fernandes, 4º BPM (São Cristóvão). 

Mais de uma centena de moradores da comunidade do Caju estiveram no cemitério esperando a chegada do corpo de Herinaldo. Ao ser liberado no Instituto Médico Legal, o cadáver da criança chegou num caixão branco. 

"Ele foi comprar uma bolinha de pingue pongue com o meu irmão de 15 anos e, ao correr, deu de frente com um policial da UPP que se assustou com ele. O PM acertou ele no tórax com um tiro de fuzil 762. Ele gostava de cavalos e soltar pipa. Morreu com 80 centavos no bolso. O PM que atirou nele não teve piedade. Foi uma criança que se assustou e morreu nas mãos de um policial", contou emocionada a dona de casa Nazaré Claudino, 25, irmã de consideração do menino.

PMs e manifestantes interditam a Linha Vermelha

Revoltados, moradores da comunidade do Caju que estiveram no enterro do menino interditaram a Linha Vermelha, no sentido Zona Oeste, na tarde desta quinta-feira. Por medida de segurança a Polícia Militar bloqueou a pista lateral da Linha Vermelha, no sentido Caxias, na altura do Fundão, onde os moradores chegaram botar fogo na divisória da via.

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