PMs têm armas apreendidas após morte de garoto no Caju

Policiais de UPP prestaram depoimento na Divisão de Homicídios e foram afastados de suas atividades

Por O Dia

O menino Herinaldo Vinícius da Santana%2C de 11 anos%2C foi morto na tarde de quarta-feira%2C no CajuReprodução / TV Globo

Rio - Os cinco policiais militares da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) Caju, envolvidos na morte do menino Herinaldo Vinicius de Santana, 11 anos, na tarde de quarta-feira, tiveram suas armas apreendidas para a realização de confronto balístico. Eles prestaram depoimento na sede da Divisão de Homicídios (DH) da Capital e foram afastados das ruas pela Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP).

"A investigação está na fase inicial, a perícia do local foi feita e o que vai determinar de onde saiu esse disparo vai ser o exame balístico que será feito nas armas apreendidas dos policiais militares. Esse exame já foi solicitado e assim que tivermos o laudo nós vamos ter essa certeza", disse o delegado Daniel Rosa, em entrevista para a CBN. 

Além dos policiais militares, familiares do menino prestaram depoimento na delegacia. De acordo com Daniel Rosa, não está descartada a realização de uma reprodução simulada para apurar a morte de Heinaldo. "Não descartamos realizar uma reprodução simulada no local do acontecimento, a fim de elucidar por completo o que ocorreu", afirma.

A Polícia Militar também determinou a abertura de um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar a morte do menino. Segundo parentes, Herinaldo brincava na comunidade Parque Alegria, no Caju, quando foi atingido por um tiro. Não havia relatos de confronto na região no momento em que a vítima foi atingida.

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O corpo de Herinaldo Vinícius segue no Instituto Médico Legal (IML) e e ainda não há informações sobre o local e horário do sepultamento. O garoto foi socorrido por populares e levado para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Complexo da Maré, mas não resistiu ao ferimento. Logo após a confirmação da morte do menino, moradores do Parque Alegria realizaram um protesto, fechando parte da Avenida Brasil e da Linha Vermelha, que teve o trânsito interrompido por cerca de 20 minutos.

Escolas ficam fechadas na manhã desta quinta-feira

Por conta do clima de tensão no Caju após a morte do menino Herinaldo, as escolas da região não funcionaram na manhã desta quinta-feira. A Secretaria Municipal de Educação disse que uma escola, duas creches e um Espaço de Desenvolvimento Infantil (EDI) não funcionaram, prejudicando 1.073 alunos. Já a Secretaria de Estado de Educação informou que o Colégio Estadual Jornalista Maurício Azêdo também teve sua atividade suspensa. A unidade atende 135 estudantes.

Quatro mortes de garotos

A morte de Herinaldo Vinícius foi o quarto caso de criança morta em tiroteio este ano. Em janeiro, Patrick Ferreira de Queiroz, de 11 anos, morreu no Morro Camarista Méier, no Lins. Em abril, Eduardo de Jesus Ferreira, 10, foi baleado e morto na porta de casa, no Complexo do Alemão, durante confronto entre policiais e traficantes. No início do mês, uma bala atingiu o peito de Cristian Andrade, 13, quando ele jogava bola num campinho na comunidade Manguinhos. Na época, O DIA revelou uma triste estatística do Ministério da Saúde: 50 crianças com menos de 14 anos foram mortas por agentes da segurança entre 2001 e 2012.

Também na quarta, próximo ao Caju, outro confronto deixou moradores assustados. No Parque União, dentro da Maré, policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) trocaram tiros com traficantes da região. Ninguém ficou ferido. Depois do confronto, os agentes apreenderam 11 quilos de pasta base de cocaína. O material foi encaminhado para a 21ª DP (Bonsucesso).

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