Chegada da Rede Sustentabilidade embola as eleições do Rio em 2016

Alessandro Molon, recém-filiado, e Marcelo Freixo (Psol) podem caminhar juntos

Por O Dia

A Rede%2C de Marina Silva%2C mexe com a corrida à sucessão de Eduardo PaesAgência O Dia

Rio - Enfim a Rede Sustentabilidade saiu do papel, e em menos de uma semana de vida, o partido já bagunçou o cenário das eleições municipais no Rio. Tudo graças à filiação do deputado federal Alessandro Molon, que saiu do PT para se juntar à legenda que a ex-presidenciável e ex-ministra Marina Silva batalhou para criar desde 2011.

O ex-petista deve ser lançado candidato no fim do mês de outubro, numa estratégia do novo partido de marcar posição junto ao eleitorado carioca. Isso irá mexer com a candidatura do deputado estadual Marcelo Freixo (Psol). Além da divisão de votos que ambos terão nas urnas, uma aliança entre os parlamentares já começa a ser vislumbrada para tentar tirar o PMDB da prefeitura.

De gabinetes de políticos às redes sociais, a saída de Molon do PT para Rede movimentou a política fluminense. Mais votado deputado federal petista no Rio, ele se juntará a Miro Teixeira em Brasília, o primeiro parlamentar a se filiar à Rede.Petistas ressentidos com a saída de Molon dizem que sua opção pelo partido de Marina se deu apenas pela possibilidade de ele voltar a disputar a prefeitura em 2016. Em 2008, ele foi candidato e não contou com nenhum apoio do PT. No Psol, onde poderia encontrar abrigo, também não teria chance de ser candidato.

Embora tenha o desejo de lançar candidato a prefeito em todas as capitais, uma aliança com o Psol já no primeiro turno é vista com bons olhos pelos integrantes da Rede. Ainda no PT, Molon foi entusiasta do apoio do partido a Freixo e apareceu com cerca de 3% nas pesquisas eleitorais para 2016. Já no Psol a análise é de que o apoio de Molon será importante num eventual segundo turno. Psolistas ainda avaliam que, em 2012, faltou um “terceiro candidato” para levar o pleito para o segundo turno.

Com a campanha muito polarizada entre Eduardo Paes e Freixo, o caminho ficou livre para reeleição do prefeito em 2012. Ano que vem, com mais candidaturas, Freixo e o Psol anteveem a possibilidade de crescimento.

“A vinda do Molon abre caminho para gente construir um campo de esquerda democrática no Rio, uma alternativa à polarização PT e PSDB”, afirmou Jefferson Moura, vereador do Rio, ex-Psol e um dos principais arquitetos da Rede no estado. Segundo ele, “seria maravilhosa” uma composição entre Psol e Rede, mas o partido está no momento de dialogar com as forças de esquerda Rio, como o ex-governador do Rio Grande do Sul Tarso Genro, petista que, como foi Molon, também é contra a adesão do PT ao PMDB no Rio. “Vamos dialogar com nomes históricos do PT, brizolistas, e abrir o debate para 2016”, promete Moura.

IDEOLOGIA

Molon é bombardeado

Teve eleitor de Alessandro Molon que não conseguiu entender a ida dele para Rede, uma vez que Marina Silva apoiou Aécio Neves (PSDB-MG) no segundo turno das eleições. Jefferson Moura explica: “A Rede tem outra relação com a política. Marina apoiou o Aécio, mas nunca houve compromisso entre os partidos”.

Por gratidão pela candidatura à Presidência em 2014, Marina Silva prometeu apoio ao PSB sempre que possível nas eleições de 2016. No Rio, entretanto, o partido do senador Romário não deve ter o apoio da nova legenda, porque os socialistas apoiam a administração Eduardo Paes.

Marcelo Freixo tem percorrido diversos bairros debatendo as mudanças sofridas pelo Rio de Janeiro. A discussão sobre quem será seu vice ficará para o final de outubro. Em 2012, o escolhido foi Marcelo Yuka.

Marta mira a prefeitura e vai para PMDB

Depois de 33 anos no PT, a senadora e ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy se filiou ontem ao PMDB e se disse “livre dos que usam a mentira para obter vantagens”. Em evento que contou com a presença do vice-presidente Michel Temer, e dos presidentes da Câmara e Senado, Eduardo Cunha e Renan Calheiros, a ex-petista engrossou a parcela do PMDB a favor do rompimento com o PT e defendeu indiretamente a saída da presidenta Dilma Rousseff do Planalto. “Michel Temer vai reunificar o país”, afirmou ela, que fez discurso breve e emocionado em que exaltou figuras históricas do PMDB, como o ex-presidente José Sarney, definido como um “gigante da política”. “Hoje, não tenho dúvidas de que aqui é meu lugar”, resumiu Marta.

O prefeito do Rio Eduardo Paes, considerado um dos maiores aliados da presidenta Dilma, esteve presente ao evento. Marta desponta como um possível nome para disputar a prefeitura de São Paulo pelo PMDB em 2016. Eduardo Cunha foi um dos que mais se entusiasmou com a chegada da ex-petista. “Que o PMDB siga seu exemplo. Vamos largar o PT”, bradou o presidente da Câmara.

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