Polícia apreende cinco mil contratos do Minha Casa Minha Vida em condomínio

Segundo a investigação policial, moradores indicados pelo traficante Playboy eram extorquidos com pagamento de 'alugueis'

Por O Dia

Rio - Uma operação da Polícia Civil em um condomínio do Minha Casa Minha Vida em Barros Filho, Zona Norte, resultou na morte de um suspeito e na prisão em flagrante de cinco suspeitos por tráfico de drogas e na apreensão de cinco mil contratos em branco da Caixa Econômica Federal. Segundo a Polícia Civil, cabia aos presidentes das associações de moradores decidiam quem iria morar nos apartamentos mediante pagamentos de 'aluguéis' e taxas de limpeza ilegais. 

Moradores que inicialmente habitavam o condomínio foram expulsos, segundo a Polícia Civil, por traficantes da quadrilha de Celso Pinheiro Pimenta, o Playboy, ex-chefe do tráfico do Complexo da Pedreira, morto em operação das polícias Federal e Civil em agosto.  Em lugar entraram invasores, de acordo com a polícia, escolhidos por Playboy. A quadrilha gerenciava a boca de fumo no local. A responsabilidade pelo comércio de drogas ficava nas mãos de Carlos José da Silva Fernandes, o Arafat, apontado como sucessor de Playboy. 

“Traficantes a mando do Arafat expulsavam as famílias dos apartamentos e colocaram aliados morando no local. Seis famílias foram encontradas nos imóveis e vão responder por esbulho possessório e, caso seja comprovada o envolvimento com o tráfico, podem ser indiciadas por associação para o tráfico de drogas. Eles fizeram o programa virar ‘Minha Casa Meu Inferno’”, comentou o delegado Rui Barbosa, titular da 39ª DP (Pavuna).

A investigação apontou que os moradores eram extorquidos com a obrigação do pagamento de R$ 350 mensais de aluguel e R$ 25 de taxa de limpeza. O lucro apenas com a taxa de limpeza chegava a R$ 20 mil mensais. Por volta de 80 pessoas prestaram depoimentos na investigação do caso na 39ª  DP (Pavuna) e 40ª DP (Honório Gurgel).

Os cinco mil contratos foram encontrados em um dos 60 apartamentos do condomínio revistados. Além da documentação, a polícia apreendeu na operação uma pistola; dois carregadores; munição, 155 trouxinhas de maconha, 19 frascos de lança perfume, 240 pinos de crack; cocaína;  celular e caderno de anotações. No estacionamento do condomínio 30 carros e 15 motos roubados foram recuperados.

“Os sorteados pelo programa era ameaçados e tinham um prazo para deixarem os apartamentos. Foram apreendidas cerca de cinco mil cópias de contratos para moradores. Era cobrado um aluguel de R$ 350, além de R$25 que eles chamavam de taxa de limpeza. Quinze pessoas envolvidas no crime já foram identificadas”, disse o delegado.

A secretaria municipal de Educação informou que 2.542 alunos ficaram sem aula na manhã desta terça-feira, na região de Costa Barros, em razão da operação. Seis escolas, duas creches e três Espaços de Desenvolvimento (EDIs) ficaram sem atendimento. 


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