Por felipe.martins

Rio - Os deputados estaduais aprovaram nesta terça-feira, em sessão na Assembleia Legislativa (Alerj), a criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o sumiço de armas das reservas da Polícia Militar, Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) e do Corpo de Bombeiros.

O pedido do deputado Carlos Minc, do PT, foi feito com base em matéria publicada pelo DIA, que revelou o extravio, furto e roubo de armamento em 36 das 56 unidades da PM. Relatório da Corregedoria do órgão produzido em 2011 mostra que foram 457 armas, das quais 72 fuzis. A CPI será composta por sete membros que vão apurar os desvios de armamentos do período de 2005 a 2015. Seis parlamentares serão indicados pelas lideranças dos partidos. A presidência ficará a cargo de Minc. A expectativa é a de que os trabalhos comecem a partir da semana que vem.

“É de suma importância investigar os casos. Há ainda uma falta de controle com as armas que são apreendidas pela polícia”, afirmou o presidente da Casa, Jorge Picciani, do PMDB, ao defender a aprovação da Comissão. Para o presidente da CPI, Carlos Minc, de início, serão requisitados os inquéritos a respeito do desaparecimento de armas aos órgãos. “Queremos um balanço pormenorizado”, anunciou Minc. O deputado fez questão de ressaltar que, em 2011, uma CPI mais ampla que apurou o tráfico de armas, munições e explosivos, então presidida pelo deputado Marcelo Freixo, do Psol, fez recomendações à PM, mas que não foram cumpridas. “Temos que cobrar. Não pode um trabalho ser realizado e 80% das recomendações não serem cumpridas”, afirmou Minc.

Para o deputado Marcelo Freixo, o relatório sobre extravio, roubo e furto de armas na PM aponta que o problema do estado não está só com as armas que chegam pelas fronteiras. “Temos as questões daqui também. A verdade é que faltam controle e fiscalização”, avaliou o parlamentar. Em 2011, a juíza Patrícia Acioli foi assassinada com 21 tiros. O crime foi cometido por policiais militares e parte da munição era da corporação.

Choque teve 23 pistolas roubadas

O fácil acesso aos paióis deixa as unidades da PM vulneráveis. Em outubro do ano passado, por exemplo, um carro de cor escura entrou sem resistência no Batalhão de Choque, unidade que tem grande reserva de armas. Na ocasião foram roubadas 23 pistolas da corporação e cinco armas dos policiais responsáveis pela guarda do local.

As investigações são de responsabilidade da Corregedoria da PM. Imagens captadas por câmeras de segurança estão sendo analisadas. O objetivo é tentar identificar a placa do veículo. Em cinco anos, a PM abriu pelo menos 120 procedimentos para apurar furto, roubo e extravio de armas de paióis da corporação. A estimativa é de que a corporação tenha até 65 mil armamentos nas Reservas Únicas de Materiais Bélicos (Rumbs) das 56 unidades em todo o estado.

Na relação de investigação, o Batalhão de Operações Especiais (Bo</MC><MC0>pe), tropa de elite da PM, tem que dar conta de 44 armamentos, entre eles pistolas, carabinas e fuzil.


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