DH precisa de reforço para apurar autos

Delegacia tem de ganhar mais recursos para cumprir ordem de investigar todas as mortes em confrontos com PMs

Por O Dia

Rio - ?Para atender ao projeto da Polícia Civil e investigar todos os autos de resistência ocorridos na Capital, a Delegacia de Homicídios (DH) vai precisar de pelo menos mais 100 investigadores, quatro delegados, 10 peritos criminais, além de 50% de aumento na frota de veículos e material de perícia, como luminol para procurar vestígios de sangue.

A conta já estaria nas mãos do chefe da instituição, Fernando Veloso, que aguarda a nomeação de cerca de 750 aprovados em concurso, mas que não foram nomeados pelo governador Luiz Fernando Pezão. A determinação é que a DH da capital comece a investigar os autos, mas que, depois, o procedimento seja feito também pelas especializadas da Baixada e de Niterói, que vão requerer o mesmo reforço.

Além dos cerca de 70 inquéritos mensais da DH, na conta da especializada vão entrar, aproximadamente, 30 autos de resistência a mais por mês. As ocorrências, em geral, são em áreas de risco, o que vai exigir maior número de homens na proteção dos peritos.

“É óbvio que vão precisar de apoio em recursos materiais e humanos, senão a qualidade do trabalho da DH vai cair, podendo virar uma grande distrital. Nestas últimas, quando ocorre um homicídio, o delegado vai ao local sem condições de agir, muita vezes com um investigador. A DH tem um delegado, médico legista, perito criminal, papiloscopista, uma equipe de investigadores e homens de apoio. De qualquer forma, a decisão é corretíssima”, comentou o presidente da Federação Nacional dos Delegados de Polícia Civil, José Paulo Pires.

Para a presidente da Associação de Peritos, Denise Rivera, o estado deve estar contando com verbas federais para melhor equipar a polícia. “A estrutura da DH já estava crescendo, mas há uma promessa de verba da Senasp para ser aplicada em pessoal, por conta da Olimpíada. O estado deve estar fazendo essa conta. No caso dos peritos, foram nomeados agora 66, porém 65 vão se aposentar, então, ainda não ganhamos nada”, explicou Denise.

Os PMs presos acusados de matar Eduardo Felipe Santos Victor, de 17 anos, no Morro da Providência, e de fraudar o inquérito ao disparar pistola com a mão do rapaz prestarão novo depoimento na DH, porém a data ainda não está marcada.

Beltrame: ‘Não está uma maravilha’

Extirpar os maus policiais para manter a confiança no processo de pacificação, abalado com a morte de Eduardo Felipe Santos Victor, de 17 anos, terça-feira, na Providência. A punição e a imediata expulsão por processo administrativo-disciplinar dos cinco PMs acusados foram anunciadas nesta quinta-feira pelo Secretário de Segurança José Mariano Beltrame, em evento para homenagear policiais com trabalho de destaque em UPPs. “As coisas podem não estar uma maravilha, mas estão melhores do que há oito ou nove anos. A maneira que tenho de me desculpar com a população é colocando estas pessoas na rua.”

Nesta quinta-feira, o jornal Extra divulgou que o laudo da necropsia de Eduardo revelou que ele teria sido baleado quando estava deitado no chão e, provavelmente, rendido. O tiro atingiu o rapaz embaixo do peito esquerdo. O documento ainda aponta que o adolescente sofreu fraturas em três costelas, além de escoriações.

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