Juíza rebate Bolsonaro e diz que não xingou presos

Magistrada garante que não houve arbitrariedade durante inspeção na Unidade Prisional da PM

Por O Dia

Rio - A juíza Daniela Barbosa Assumpção de Souza, da Vara de Execuções Penais (VEP), rebateu as acusações do deputado estadual Flávio Bolsonaro (PP) de que ela desrespeita os policiais militares presos na Unidade Prisional da PM (antigo BEP). A magistrada foi atacada durante uma inspeção na unidade, na tarde de quinta-feira e teve a blusa rasgada, ficou sem os óculos e sapatos. A ação fez com que o juiz titular da VEP, Eduardo Oberg, determinasse a interdição do local e nesta sexta-feira deve ser definido para aonde os presos serão transferidos.

“Isso é uma leviandade. O deputado não entrou na unidade. Se falou com os presos foi por telefone. Não xinguei ninguém e não houve arbitrariedade”, argumentou Daniela. O promotor Décio Alonso, do Ministério Público que atua junto à Auditoria de Justiça Militar, rechaçou os excessos. “Um preso perdeu o controle. Aí aproveitaram a situação para fazer o levante”, explicou.

O deputado chegou ao antigo BEP por volta das 16h e atacou a juíza: “É a palavra dela contra a dos presos. Ela age com excessos. Falta com o respeito, chama muito de vagabundos, e tirou aparelhos permitidos pela VEP”, disse Bolsonaro, acrescentando que cinco internos foram hospitalizados — três com problemas cardíacos.

Além da magistrada, a escolta formada por seis homens também sofreu agressões. “Fui atingida no puxa-puxa. Jogaram comida no chão. Atingiram um segurança meu a pauladas. Mas outros presos também ajudaram a sair da galeria. Vamos tomar providência só contra os agressores”, contou Daniela, que na noite de quinta-feira fez o reconhecimento dos acusados. Na inspeção, foi apreendido celular e carregador.

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