PMs são acusados de bisbilhotar celulares dos moradores do Alemão

ONG Papo Reto levará à Corregedoria denúncias de que policiais obrigam moradores a mostrar vídeos e mensagens

Por O Dia

Rio - Moradores do Complexo do Alemão estão sendo obrigados a mostrar as mensagens e vídeos de seus celulares aos policiais. A denúncia é de Raull Santiago, um dos diretores do Coletivo Papo Reto, ONG que atua nas favelas denunciando as más condições de vida dos moradores. Segundo Raull, nesta quinta-feira a Papo Reto recebeu pelo menos cinco denúncias através da página que mantém nas redes sociais, todas relacionadas às atitudes que considera arbitrárias.

“De início foram três casos diferentes. Depois, na postagem que fiz na página, mais pessoas foram aparecendo e denunciando esta invasão de privacidade”, disse. Segundo Raull, a ONG está coletando denúncias para poder levar à corregedoria da Polícia Militar e tomar medidas judiciais contra o constrangimento. Anteontem, a Papo Reto divulgou uma cartilha da ONG Witness.com, que ensina a população a usar as filmagens de celular para se proteger de arbitrariedades. Na cartilha o usuário é orientado a registrar hora e local do fato em relógios digitais, por exemplo. “Os moradores precisam parar de ter medo.Quando a polícia fizer a abordagem e pedir o celular, tem de dizer que isso é invasão de privacidade e chamar mais moradores ”, diz Raull.

Jozemar da Silva postou na página do coletivo que passou pelo problema, mas que acabou não abrindo o celular alegando que tinha fotos íntimas. “Acabaram me devolvendo”, diz.  “Ainda não conseguimos uma prova visual, porque é difícil, todo mundo fica calado. Há uma série de situações que veículos de comunicação de favela relatam, que realmente acontecem, mas que é difícil o flagrante porque as pessoas têm medo de represália da PM.” 

Operação fecha teleférico

O Comando de Operações Especiais (COE) realizou operação nesta quinta, no Complexo do Alemão, em busca dos assassinos do soldado da UPP Fazendinha, Caio César Ignácio Cardoso de Melo. A ação, que terminou sem prisões ou apreensão de drogas, acabou fazendo com que o teleférico fosse fechado. Moradores relatavam nas redes sociais o temor com o intenso tiroteio e a chegada de caveirões nas favelas. A Maré e o Chapadão, além da Favela Jorge Turco, em Rocha Miranda, também foram palco de operações. Na Maré, foram apreendidos duas pistolas, dois rádios transmissores, 1.147 trouxinhas de cocaína (e outros 22 quilos da droga).

Últimas de Rio De Janeiro