Professores defendem menina de 12 anos abusada no Pedro II

Mãe agradece a solidariedade

Por O Dia

Rio - Professores, ex-alunos, e pais de estudantes do Colégio Pedro II ficaram indignados com o caso de X., a menina de 12 anos que sofreu três abusos sexuais, um deles dentro da unidade São Cristóvão II, conforme denúncia feita pelo DIA desde segunda-feira. A direção da escola impediu a renovação das matrículas dos três alunos acusados da violência, mas permitiu que eles terminem o atual ano letivo.

A mãe de X. conversou com a equipe de reportagem e pediu privacidade. “Eu e minha família preferimos não nos pronunciar publicamente, mas já tomamos todas as medidas cabíveis”, disse. Ela aproveitou para agradecer à reitoria pela expulsão dos jovens acusados de abuso. “Achei acertada a decisão do gestor, agradeço de coração.”

Colégio Pedro II expulsou estudantes que filmaram sexo com colegaDivulgação

Apesar de um grupo de mães ter procurado a direção em 12 de agosto para denunciar o fato, apenas na última sexta-feira a reitoria decidiu punir os três jovens acusados. “Antigamente era expulsão sumária, hoje tentam abafar”, aponta Rui Santos, 60 anos, responsável pelo Clube de Ex-Alunos do Pedro II. “Não podemos passar a mão na cabeça em atos como esse. Tem que ir para o Conselho Tutelar”.

Segundo os professores, a unidade não emitiu nenhum comunicado interno de como devem orientar os estudantes sobre o caso. “Todos estão assustados, mas a direção está tratando disso discretamente”, afirmou um professor que pediu para não ser identificado. “A identidade da aluna deve ser preservada para poupá-la de mais constrangimento”, disse outra docente.

Pais se manifestaram pelas redes sociais em apoio a X. “Lamentável tudo isso, essa exposição de uma escola tão renomada”, disse uma das mães. “O que mais me impressiona é a atitude de alguns que tentam culpar a vítima, uma menina de 12 anos”, comentou um pai de uma colega de X.


Estudante admite sexo com garota de 12 anos, mas nega violência

Um dos alunos do Pedro II acusados de agressão sexual contra a colega de escola admitiu o sexo com a menina, mas negou que a relação tenha ocorrido de forma violenta. Ele tem 17 anos e ela 12. Para preservar a identidade do rapaz, vamos chamá-lo de Y. Ele é apontado como o jovem que estaria com a menina no vídeo gravado em setembro na Quinta da Boa Vista.

Segundo Y., ele não sabia que fazer sexo com uma menor de 14 anos era crime. “Só tenho a dizer que a vítima na verdade sou eu. Ela falou que era a ‘tara’ dela fazer aquilo filmando, inclusive pediu para filmar”, afirmou o jovem.

A diferença de idade entre eles não seria impedimento para a relação. “É normal adolescentes namorarem”, disse. Quando foi questionado sobre qual o motivo da escola de ter expulsado os rapazes após a divulgação do vídeo, Y foi enfático: “Porque só tem o nosso vídeo, mas ela já fez sexo com vários garotos”.

Na versão de Y, ele é a verdadeira vítima da história porque foi acusado de estuprador e porque no próximo ano não poderá continuar matriculado no Colégio Pedro II. “Acabaram com minha imagem. Essa história está me prejudicando muito. Não tenho nem ido para a escola, estou com medo”, afirmou. A Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente investiga o caso.

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