Por nicolas.satriano
Publicado 09/10/2015 00:13 | Atualizado 09/10/2015 00:17

Rio - Um dia depois de o Tribunal de Contas da União recomendar a rejeição das contas da presidenta Dilma Rousseff de 2014, o governador do Rio Luiz Fernando Pezão pediu uma flexibilização da Lei de Responsabilidade Fiscal em momentos de crise.

A afirmação foi feita ontem durante encontro do governador com prefeitos fluminenses. Por unanimidade, o TCU condenou as ‘pedaladas fiscais de Dilma’. A palavra final será do Congresso.

Mas, ontem, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, informou que a avaliação ficará para o ano que vem. O governo não deve recorrer ao Supremo.A rejeição, se confirmada pelo plenário do Congresso, abre caminho para processo de impeachment de Dilma.

Governador sai em defesa da presidenta um dia depois de ela ter rejeitadas as contas pelo TCU. Decisão será do Congresso%2C que só analisará caso ano que vemBruno Itan / Divulgação

“Tem que existir uma flexibilidade maior nela [Lei de Responsabilidade Fiscal]. O momento atual é delicado, estamos perdendo em muitos aspectos, muitos cortes em diversas áreas estão ocorrendo, então fica difícil para os municípios se adequarem dentro dessas circunstâncias”, afirmou Pezão.

A Lei de Responsabilidade Fiscal impõe normas e limites no gasto do dinheiro público, por exemplo, fixando despesas máximas com pessoal e o endividamento público dos governos municipais, estaduais e federal. O governador não detalhou como deve ser a flexibilização.

Pezão disse ainda que o país precisa se unir e respeitar o resultado das urnas. “O país saiu dividido da última eleição, todo mundo reconhece. Mas não vamos cair no erro da oposição de criar uma situação desfavorável ao governo. Vamos respeitar o resultado das urnas.

Esse momento preocupante que o país vive deveria trazer a união principalmente para nós governantes, prefeitos e autoridades”, disse, em referência aos pedidos de impeachment da presidenta Dilma.

Para Dilma, decisão é 'página virada'

O ministro-chefe da Casa Civil, Jaques Wagner, afirmou que a presidenta Dilma considerou a decisão do TCU como “página virada”, durante a reunião ministerial de ontem. Segundo ele, agora, o governo vai fazer a “batalha” no Congresso Nacional, que é o responsável por decidir se as contas serão aprovadas ou rejeitadas.

“A presidenta é uma guerreira. Ela opera muito bem nas dificuldades. Evidentemente que a gente preferia a análise feita pelo TCU culminando de outra forma. Mas ela encarou com respeito a decisão do TCU e entende que esta é uma página virada. E vamos fazer a batalha no julgamento que será feito pelo Congresso Nacional”, disse o ministro.

Relator do processo, o ministro Augusto Nardes afirmou ontem que o TCU investiga indícios de adoção das chamadas pedaladas fiscais do Executivo também este ano.

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