Mortos na Z. Norte eram conhecidos por venda de doce no Jardim Botânico

Assassinados a facadas em Cordovil, irmãos vendiam cuscuz na Rua Lopes Quintas e eram queridos por moradores

Por O Dia

Rio - O Jardim Botânico está de luto. Assim definem alguns moradores que, vez ou outra, compravam cuscuz dos irmãos Fábio e Marcos Fonseca Gotardo, de 34 e 37 anos. Brutalmente mortos a facadas em Cordovil na noite desta quinta-feira, na Zona Norte da cidade, há mais de 20 anos a principal fonte de renda dos irmãos era o trabalho diário com a venda dos doces no bairro da Zona Sul carioca. 

Fábio e Marquinhos (como era conhecido) acordavam às 5h30 para preparar os produtos que seriam vendidos. Saíam do endereço da fábrica de cuscuz, onde moravam, no número 157 da Rua João Henrique por volta das 8h30, entravam em uma kombi e percorriam os 26 quilômetros até o Jardim Botânico. Lá, ficavam até às 17h vendendo cuscuz e, meia hora depois, já estavam a caminho de Cordovil.

"Uma rotina normal de qualquer trabalhador", comentou a ex-cunhada dos irmãos, Flávia Gentil. 

Ponto onde Marquinhos vendia doces amanheceu vazio nesta sexta-feiraLeitor Fábio Henrique

No Jardim Botânico, os irmãos dividiam as vendas em dois pontos na Rua Lopes Quintas, famosa via do bairro. O local onde Marquinhos vendia o cuscuz, em frente ao número 120, próximo ao restaurante Lorenzo, era mais antigo e conhecido no bairro. Fábio ficava em frente ao banco Itaú da Rua Jardim Botânico, esquina com a Lopes Quintas.

"O bairro está de luto. Ninguém acredita. Fábio e Marquinhos eram do dia a dia. Sempre estavam 'adiantando' a gente. Inclusive, deixavam que 'pendurássemos' a conta. Eram adoráveis. Comíamos o cuscuz desde pequenos. Na minha adolescência, no fim do dia, quando sobrava doce, ele (Marquinhos) assobiava e distribuía entre a garotada", contou o morador do bairro Fábio Henrique, 33.  

Moradores do bairro perguntaram por Fábio%2C que vendia cuscuz em frente ao Itaú da Rua Jardim BotânicoLeitor Fábio Henrique

O presidente da Associação de Moradores do Jardim Botânico, Heitor Wegmann Jr., também lamentou a morte dos ambulantes. "Muitas pessoas compravam os doces. É uma pena. Eram duas pessoas que estavam trabalhando e acabaram brutalmente assassinadas. Espero que a pessoa que cometeu esse crime pegue pena máxima", disse. 

"Para mim, ele era uma pessoa boa. Conheci o Marquinhos quando ele tinha 15 anos, na época que começou a vender cuscuz. Todos estão perguntando por ele, dizem que estão chocados", falou o chaveiro que trabalhava ao lado de Marquinhos na Lopes Quintas, Vagner Moura, 35. 

Amigos e parentes arrasados

Muitas pessoas foram ao enterro dos irmãos no Cemitério de Irajá, na tarde desta sexta-feira, segundo relataram familiares das vítimas. Mesmo arrasados, amigos e parentes se sentiram confortados ao ver que tantas pessoas consideravam os irmãos tão queridos e foram se despedir.

Irmãos mortos a facadas em Cordovilarquivo pessoal

"Está todo mundo arrasado. Uma irmã deles, que morava embaixo do cômodo que eles dormiam está em estado de choque, a base de remédios", contou a ex-cunhada, Flávia Gentil. Segundo ela, a família tem certeza que um homem chamado Vitor, que vivia com os irmãos, é o assassino. Flávia disse que o homem desapareceu e que a polícia já está em busca de Vitor. 

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