Após explosão, prefeitura começa a demolir imóveis em São Cristóvão

Herdeiros de empresários e moradores estão no local para acompanhar a operação para derrubar estabelecimentos

Por O Dia

Rio  - A prefeitura começou, na tarde desta segunda-feira, o trabalho de demolição de imóveis na Rua São Luiz Gonzaga, em São Cristóvão, onde uma violenta explosão nesta madrugada comprometeu imóveis da região. Ao todo, 54 edificações foram atingidas na explosão, 19 completamente destruídos ou demolidos por risco estrutural. Entre elas, residências e estabelecimentos comerciais. Algumas lojas, consideradas símbolos do bairro, existiam há mais de 79 anos no bairro.

Nesta tarde, vários empresários foram ao local para assistir à operação da prefeitura. Uma delas é a loja de compras Cabral Esportes.

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"Foi onde o meu pai tirou meu sustento e dos meus irmãos quando éramos menores. Ele está bastante emocionado e nem quis ver a conclusão da demolição. A loja era uma referência para a nossa família e para São Cristovão. Mas, se a emoção do meu pai for muito grande, e ele fizer questão, nós vamos reconstruir e inaugurar uma nova Cabral. Vamos reerguer a loja, mesmo que não seja a nossa principal fonte de renda", contou o dentista Cesar Cabral, 52, neto de um dos fundadores do estabelecimento.

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Bruna Lichteuheld, 27 anos, também neta de donos de uma loja de relógios e joias que será demolida, contou que não conseguiu contar para os avós e fundadores da loja sobre a demolição:

"Eles só sabem que o imóvel foi prejudicado. Não sei como eles irão reagir. Eles que fundaram a loja, há mais de 60 anos. A nossa família, infelizmente, não tinha seguros". 

Além dos comerciantes, moradores também voltaram ao local para retirar documentos e pertences pessoais. Muitos deles vão dormir em casa de familiares e amigos, mas, alguns contaram que não sabem onde passarão o resto do mês.

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"Vou para a casa de um colega, peguei só o necessário. Paguei R$700 de aluguel e não sei mais se vou poder ficar lá (na casa do amigo) até o fim do mês", disse o mecânico montador Jadson Nunes, 31 anos.

Enquanto isso, Juracir Real dos Santos, 29, montador de andaimes, já não sabe onde vai passar as noites a partir do meio desta semana. "Sei que hoje e amanhã posso dormir na minha irmã, mas depois não tenho nada garantido", contou aflito.

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