Por nicolas.satriano
Publicado 20/10/2015 00:27 | Atualizado 20/10/2015 00:46

Rio - Sensibilizados com a situação das famílias que ficaram desabrigadas devido à explosão, moradores de São Cristóvão se uniram em uma corrente de solidariedade para arrecadar donativos. Nesta segunda-feira, grupos compartilharam nas redes sociais os pedidos de doações que podem ser entregues nas igrejas de Santa Edwiges, na Rua Fonseca Teles, e na de São Januário, próximo ao Largo da Cancela. Estima-se que pelo menos 20 famílias estejam sem teto. Segundo organizadores da ação, artigos de cama e banho, alimentos não perecíveis e itens de higiene são os de maior necessidade.

VEJA ilustração sobre o local afetado

Dono do restaurante destruído, Valdecir Silva foi retirado ferido dos escombros e ficou rezando pela mulher e pela filha. Horas depois, elas foram salvas também pelos bombeiros. Outra vítima da explosão, Mauro Lopes disse, chorando, que foi um milagre não morrer ninguém em um acidente daquela dimensão.

Vários botijões%2C inclusive um em péssimo estado de conservação%2C foram retirados dos escombrosABr

Além dos moradores, estudantes e motoristas foram afetados pela interdição das ruas próximas pela Defesa Civil. O Colégio Pedro II do bairro suspendeu as aulas. O fechamento de vias deve ser mantido, segundo o Centro de Operações, mas o colégio funciona hoje.

Inspeção zero

Desde março, a Lei 6.890 determina a realização da autovistoria, a cada cinco anos, em equipamentos e instalações de gás, principalmente, gás e aquecedores, em casas, apartamentos e unidades comerciais do estado. Cabe aos proprietários ou usuários das unidades, residenciais ou comerciais, providenciar a inspeção por empresas credenciadas às concessionárias de gás. A lei não saiu do papel.

“Nenhuma inspeção foi feita. As empresas estão aguardando autorização do Inmetro”, critica o engenheiro David Gurevitz, diretor da Delphi, empresa especializada em Engenharia e Medicina do Trabalho. No último ano, a Delphi fez 2.500 vistorias prediais, e em 30% dos casos encontrou problemas como equipamentos corroídos, mangueiras inadequadas e casa de gás sem ventilação.

Em 18 de maio, uma explosão de gás em apartamento do Edifício Canoas, em São Conrado, matou o alemão Markus B. Maria Muller, de 51 anos. A perícia constatou que defeito na válvula de gás causou vazamento e o acidente. A explosão provocou danos nos 72 apartamentos do edifício.

Em 13 de outubro de 2011, explosão de gás matou três pessoas no Restaurante Filé Carioca, na Praça Tiradentes. O estabelecimento abria as portas na hora do acidente. Laudo dos bombeiros de agosto de 2010 proibia o restaurante de usar gás de botijão ou de rua por falta de segurança. Além de três mortos, 17 pessoas ficaram feridas e o quarteirão foi interditado.

Uso de botijão é opcional no Rio

Por lei, ninguém pode ser obrigado a receber gás canalizado em sua residência ou estabelecimento comercial. Embora o Artigo 144 do Código de Segurança contra Incêndio e Pânico (Decreto Estadual 897, de 1976) estabeleça que não será permitida a utilização de gás em botijões ou cilindros nas edificações dotadas de instalações internas, situadas em ruas servidas por gás canalizado, a legislação diz o contrário.

A Justiça considerou que a decisão dos bombeiros é inconstitucional. Portanto, ao contrário do que informou o subsecretário de Defesa Civil, Márcio Motta, não é proibido utilizar o GLP em locais abastecidos por gás canalizado. “Isso é ilegal. Se há gás encanado, não se poderia usar o GLP”, disse Motta.

A declaração não foi confirmada pelo comandante do Corpo de Bombeiros, coronel Ronaldo Alcântara. “O comerciante pode optar pelo gás encanado ou de botijão, desde que cumpra a lei. Mas mesmo estando autorizado e legalizado, não temos como saber se alguém leva um botijão ou outros a mais para dentro da loja após a vistoria.”

Cuidados para prevenir acidentes

Para evitar acidentes provocados por vazamento de gás, moradores e comerciantes devem adotar medidas simples, recomendadas pelo Sindgás, sindicato das distribuidoras.

Adquira o produto em empresas credenciadas;

Recuse botijão avariado ou enferrujado;

Mantenha o botijão em local ventilado: não o coloque em locais fechados, como armário de pia, porão ou banheiro;

Não deixe o botijão na posição horizontal;

Não use ferramentas para ajustar a borboleta do regulador;

Risque o fósforo ou acendedor antes de abrir o queimador para acender fogão ou forno;

Feche o registro do gás sempre que sair de casa;

Para verificar se há vazamento, passe esponja com água e sabão sobre a conexão do cone-borboleta com a válvula. Se houver vazamento, aparecerão bolhas de ar na espuma;

Verifique no lacre e no rótulo se o nome da companhia distribuidora de gás é o mesmo;

A mangueira não deve passar por detrás do fogão. O calor danifica o plástico e pode levar a vazamentos;

Denúncias podem ser feitas aos bombeiros pelo telefone da Ouvidoria (0800-282-5070).

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