PMs condenados por morte do menino Juan serão julgados por outro homicídio

Igor de Souza, 17 anos, foi morto na mesma operação que resultou na morte da criança na comunidade Danon, em 2011

Por O Dia

Menino foi morto em 2011 durante operação da polícia na comunidade DanonPaulo Alvadia / Agência O Dia

Rio - Os quatro policiais militares condenados pela morte do menino Juan, de 11 anos, na comunidade Danon, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, em 2011, voltarão a ser julgados, agora pela morte de Igor de Souza, na mesma incursão que resultou na morte da criança. O Ministério Público do Rio obteve junto ao Tribunal de Justiça decisão favorável para cassar a absolvição pelo homicídio do jovem de 17 anos, que a defesa dos PMs tenta classificar como auto de resistência.

A Justiça manteve também a condenação de forma integral dos réus, negando recurso da defesa que pedia a redução da pena pela morte de Juan e pelas tentativas de homicídio de Wanderson dos Santos de Assis, de 19 anos, e do irmão de Juan, Wesley Felipe Moraes da Silva, de 14.

O promotor de Justiça Sérgio Ricardo Fernandes Fonseca, que obteve a decisão que reverte a absolvição, defende que foi amplamente demonstrado que os policiais não atiraram em confronto com traficantes, como alega a defesa, mas sim que estavam no local para matar, e que efetivamente executaram Igor. Apesar de Igor de Souza ser, supostamente, traficante, as provas mostram que não houve confronto.

PMs ainda não foram expulsos

?Procurada, a PM informou que os sargentos Isaías Souza do Carmo e Ubirani Soares e os cabos Edilberto Barros do Nascimento e Rubens da Silva estão presos na Unidade Prisional de Niterói aguardando a conclusão do Conselho de Disciplina, que pode culminar na expulsão deles. Enquanto isso, os policiais continuam na corporação.

Relembre o caso

O menino Juan Moraes Neves, de 11 anos, foi morto a tiros de fuzil na noite do dia 20 de junho de 2011, na comunidade Danon, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Também ficaram feridos Wanderson dos Santos de Assis, de 19 anos, e o irmão de Juan, Wesley Felipe Moraes da Silva, de 14.

Juan, que morava com sua família na localidade, desapareceu na mesma noite, logo após o suposto confronto. O corpo do garoto foi encontrado 10 dias depois, às margens do Rio Botas, em Belford Roxo, também na Baixada. 

Desde o dia 21 de julho de 2011, os sargentos Isaías Souza do Carmo e Ubirani Soares, assim como os cabos Edilberto Barros do Nascimento e Rubens da Silva estão presos preventivamente a pedido do MP.

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