Erros da Polícia Militar já mataram outros inocentes no Rio

Três casos como os dos jovens Jorge Lucas e Thiago Guimarães aconteceram nos últimos anos na cidade

Por O Dia

Hélio Ribeiro foi morto enquanto afixava lona com furadeira. PM confundiu objeto com armaReprodução

Rio - As mortes dos mototaxistas Jorge Lucas de Jesus Martins Paes, 17 anos, e Thiago Guimarães Dingo, 24, na tarde de quinta-feira, na Pavuna, não foram as únicas que aconteceram após engano de um policial militar. Os jovens estavam com um macaco hidráulico, que foi confundido por um sargento do 41ºBPM (Irajá) com um fuzil. O PM realizou um disparo e acabou matando os inocentes. Pelo menos dois casos, um em 2010 e outro no ano passado, chamaram a atenção da população.

Durante uma operação do Batalhão de Operações Especiais (Bope) no Morro do Andaraí, na Zona Norte, no dia 19 de maio de 2010, o fiscal de supermercado Hélio Barreira Ribeiro, de 46 anos, foi assassinado com um tiro de fuzil dentro de casa. O autor do disparo foi o cabo da PM, Leonardo Albarello que confundiu uma furadeira que a vítima usava para a instalação de um toldo com uma arma. Em 2012, o policial foi absolvido.

Já no dia 10 de fevereiro do ano passado, três policiais do 9ºBPM (Rocha Miranda) mataram Alan de Souza Pereira, de 20 anos, Gleberson Nascimento Alves, de 28, durante uma perseguição em Rocha Miranda. Eles e mais duas pessoas estavam com uma peça de motocicleta que foi confundida com um fuzil.

Os PMs perceberam o erro e decidiram colocar uma arma de fogo na mão direita de um dos rapazes mortos e em depoimento na 29ªDP (Madureira) eles disseram que os jovens roubaram um cordão e que tinham iniciado o tiroteio. Porém, a joia já pertencia a Gleberson. Na ação, Layon Duarte ficou ferido. Os policiais foram indiciados pelos crimes de homicídio e fraude processual.

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Ainda, em maio deste ano, um homem foi baleado na perna, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, após policiais militares confundirem um celular com uma arma. Em vídeo postado no Facebook, a vítima aparece deitada no chão, com a perna sangrando e sendo amparada por PMs e pedestres.

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Pai não perdoa ação dos policiais

As mortes de Jorge Lucas e Thiago Guimarães culminaram com um protesto violento nas ruas da Pavuna na tarde de quinta-feira. Durante um patrulhamento na Rua Doutor José Thomas, o policial percebeu que a moto vinha na direção da viatura. De acordo com seu depoimento, ele pensou que as vítimas portavam uma arma e efetuou um único disparo que atravessou os dois mototaxistas.

O policial foi afastado e passará por avaliações técnica e psicológica. Todos os PMs envolvidos prestaram depoimento e tiveram as armas apreendidas para perícia. "Precisamos saber se ele cometeu um erro técnico ou se foi emocional", explicou o comandante do 41ºBPM, coronel Marcos Netto.

Na porta do Instituto Médico Legal (IML) para a liberação do corpo, o pai do Thiago, Gilberto Dingo, disse que não perdoa a ação dos policiais. "Não tem desculpa. Se vocês pedirem desculpa o meu filho vai voltar", indagou.

Jorge Lucas será sepultado nesta sexta-feira, às 15h, no Cemitério de Inhaúma. Já o enterro de Thiago Guimarães acontecerá no sábado, às 10h, no Cemitério de Irajá.

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