'Cunha é sobrevivente', diz secretário de Governo Paulo Melo

Político saiu em defesa dos seus colegas de PMDB do Rio envolvidos em denúncias e polêmicas

Por O Dia

Rio - SECRETÁRIO ESTADUAL de Governo, Paulo Melo saiu em defesa dos seus colegas de PMDB do Rio envolvidos em denúncias e polêmicas. Segundo ele, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, não pode ser cassado por ter mentido à CPI da Petrobras, quando declarou não ter contas na Suíça.

Melo também foi enfático na manutenção da candidatura do secretário Pedro Paulo à sucessão do prefeito Eduardo Paes em 2016. Para ele, o fato de o pré-candidato ter admitido a agressão à ex-mulher não pode ser usado para enfraquecê-lo. “A sociedade tem que perder sua hipocrisia”, declarou.

Paulo Melo%3A “Há indícios fortíssimos contra Cunha%2C mas a coisa vai seguir o rito processual”Ernestto Carriço

Na entrevista, Paulo Melo nega a possibilidade de Sérgio Cabral concorrer à Prefeitura do Rio, em 2016, e define o ex-governador como o “planeta” em torno de quem orbita o partido. Mesmo leal ao líder, o secretário sinalizou que pode vir a deixar o PMDB. 

ODIA: O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, é um dos principais nomes do PMDB aqui do Rio. O envolvimento dele em denúncias e escândalos de corrupção certamente será usado nas campanhas eleitorais. Isto pode afetar o partido nas eleições municipais de 2016?

PAULO MELO: – Aqui nós temos o Jorge Picciani, presidente da Assembleia Legislativa, o prefeito Eduardo Paes, o Sérgio Cabral, o Eduardo Cunha, eu... No interior, nós temos muito mais força que o Cunha. Acho que esse caso dele não irá interferir na campanha.

Como o senhor acha que ele sairá dessa situação? Foi desencadeado nesta semana o processo que pode cassá-lo na Comissão de Ética da Câmara.

Se o rito processual normal for seguido, a saída dele será postergada o máximo possível. Ele tem o direito de defesa, a comissão pode prorrogar o prazo do processo, Eduardo pode pedir perícia técnica em documentos. E eu discordo da representação feita. (Psol e Rede entraram com representação no Conselho de Ética pedindo a cassação de Eduardo Cunha por quebra de decoro parlamentar. Ele teria mentido à CPI da Petrobras ao negar a existência de contas na Suíça. O peemedebista é investigado por corrupção e lavagem de dinheiro no país europeu e pelo Supremo Tribunal Federal).

Mentir na CPI da Petrobras não é suficiente para cassar Eduardo Cunha?

Pelo fato jurídico em si, não. Somente quando você está sob juramento que configura quebra de decoro. Eduardo foi à CPI de livre e espontânea vontade, pois interessava a ele aquela construção, dele dizer que não tinha nada contra si. Eu não sou deputado federal, mas é necessário saber se ele “prometeu dizer a verdade” na sessão. Se foi dito isso, aí sim ele mentiu.

Para além da representação no Conselho, não há indícios suficientes que pelo menos justifiquem o processo em curso?

Onde está escrito que alguém pode ser cassado por indícios? Há indícios fortíssimos pelo que a gente vê na imprensa, mas a coisa vai seguir o rito processual.

O senhor acredita que Eduardo Cunha tem contas na Suíça?

Não vi nenhum documento, não vou dizer nem que sim nem que não. Falo o que eu observo. Cabe ao Cunha provar que os fatos não são concretos. Torço para que ele saia desse emaranhado de denúncias.

Há uma movimentação para levar o líder do PMDB,Leonardo Picciani, para a presidência da Câmara, no lugar de Cunha. Essa articulação teria a participação Jorge Picciani.

Se eu fosse deputado federal, votaria no Leonardo (para presidente da Câmara). Acho justo manter essa cadeira no Rio. Ele (Picciani) está fazendo um brilhante trabalho como líder. É um jogo em um momento muito difícil, pois o Cunha é um sobrevivente, está lutando com todas as forças e tem que se respeitar o direito de defesa. No PMDB do Rio, ainda não falamos sobre isso.

Especula-se que o PMDB está revendo a candidatura do secretário Pedro Paulo à prefeitura em 2016, após ele admitir que agrediu a ex-mulher em 2010. Mais um problema para o partido?

A sociedade tem que perder um pouco da sua hipocrisia. É uma situação muito delicada, que o Pedro Paulo está explicando. Quem o conhece, sabe que ele é um garoto bom, não há registro de que ele seja uma pessoa violenta. Se eu disser que nunca tive uma complicação na vida, é uma hipocrisia. Esse é o momento em que não se pode macular uma candidatura com o escopo que tem a dele. Isso não é problema. Vou trabalhar por Pedro Paulo.

Mas há uma conjuntura específica em que há um clamor em torno de temas ligados à luta das mulheres contra a violência, campanhas nas redes sociais, rejeição às leis que podem restringir o acesso a métodos contraceptivos. O momento pode contribuir para o desgaste, com os detalhes das agressões podendo ser explorados na campanha eleitoral?

É um momento de oportunistas, tem orquestração política. O Rio de Janeiro é uma caixa de ressonância. Em 2013, o ‘Fora Cabral’ foi orquestrado, não havia nada contra ele. Num casal, você tem que gravar a briga para saber quem está com a razão. Quantas vezes eu digo que gostaria de enterrar a palavra que saiu da boca.

Como o senhor vê uma eventual substituição de Pedro Paulo pelo ex-governador Sérgio Cabral na disputa pela prefeitura ano que vem?

Apostaria tudo o que tenho que ele não será candidato. Ele é o maior patrimônio político que o PMDB tem. Não é por ser prefeito; é pelo exercício do cargo. Nós já temos um candidato. Quem tem a receita desse caldeirão é o Eduardo Paes, que é o melhor nome do partido hoje.

Mas o Cabral será consultado numa eventual mudança de candidato.

Paes e Cabral nunca deixaram de se falar desde que ele saiu do governo. Ele é o planeta em torno do qual o partido orbita. Mas a prerrogativa do processo político é do prefeito Eduardo Paes.

No começo do ano o senhor pleiteou uma vaga para o Tribunal de Contas do Estado (TCE), antes de assumir a secretaria de governo. (O escolhido para o cargo foi o ex-deputado Domingos Brazão) Se surgir uma vaga nova, o senhor tem interesse?

Poderia disputar. Eu que decidi tirar minha candidatura à vaga anterior. Ainda tinha participação política na minha região, seria errado ir para o TCE e ficar fazendo política por trás dos panos. Se no futuro surgir uma cadeira, pode ser que eu concorra de novo. Estou credenciado para disputar qualquer coisa. Fui o quinto deputado estadual mais votado do Rio, presidi a Alerj na crise política mais difícil da história, em junho de 2013, ajudei o partido nas horas mais difíceis.

Já chegou a se cogitar a saída do senhor do PMDB.

É uma possibilidade. Todo mundo abriu as portas. O PDT, o senador Romário, pelo PSB, voltar para o PSDB. Tem que ter identificação com o partido.

Então o senhor não mais se identifica com o PMDB?

Não falei isso. Quando eu achar que o PMDB não tem mais espaço para mim, tenho direito de procurar um novo partido. Nós vamos viver um novo momento após a Lava Jato e com o fim do financiamento empresarial de campanhas.

O Estado consegue fechar as finanças este ano?

O Pezão é otimista, faz conta todo dia, liga para o ministro Joaquim Levy. Não resolvemos o problema por conta da crise geral e do governo federal.O ponto crucial é o 13º dos servidores, e nós iremos pagar. Vamos ter que sacrificar em outro lugar, atrasar o pagamento deste ou daquele fornecedor.

Últimas de Rio De Janeiro