Ex-coronel do Bope cobra mais policiamento na Linha Vermelha

Via ficou fechada por cerca de 25 minutos nesta terça-feira por conta de um intenso tiroteio entre policiais e traficantes

Por O Dia

Rio - Para o ex-coronel da Polícia Militar e fundador do Batalhão de Operações Especiais (Bope), Paulo Amêndola, aumentar o policiamento feito com motocicletas pode ser uma das soluções para tornar a Linha Vermelha uma via mais segura. Na manhã desta terça-feira, um intenso tiroteio parou a via por aproximadamente 25 minutos, assustando os motoristas que passavam pela região. “Ela é perigosa porque corta favelas do Rio e Baixada. Como é muito movimentada, o (Batalhão de Polícia em Vias Especiais) deveria fazer o policiamento com uso de motos, pois daria mais agilidade e segurança”, opinou.

Motoristas, desorientados, saem dos carros para tentar se protegerSeguidor %40CEACARU

Segundo o especialista em Segurança Pública, durante um tiroteio, o motorista e o acompanhante não devem tentar correr para fugir do local. “Se estiver na Zona Vermelha (de risco), é preciso puxar o freio de mão do carro e deitar no chão. Ficar jogado na parte dos fundos do veículo até que acabe o tiroteio”, diz.

Morador de Nova Iguaçu, Maicon Dias, 38 anos, trabalha como técnico operacional numa empresa em Niterói e passa pela via todos os dias. Além de tiroteios em favelas próximas à via, ele diz que os arrastões são constantes. “Dá medo passar aqui. Com as obras da Avenida Brasil, muitos motoristas acessam a Linha Vermelha como a principal opção.” 

Minutos de desespero durante o confronto

Motoristas que trafegavam pela Linha Vermelha voltaram a viver momentos de desespero durante nova troca de tiros na via expressa, na manhã de ontem. Apavoradas, muitas pessoas saíram dos carros e deitaram no chão em busca de refúgio.

Dia de terror na Linha VermelhaReprodução / TV Globo

Durante os 25 minutos de terror, os motoristas que trafegavam pela Linha Vermelha tentavam se esconder atrás de veículos e da mureta de proteção que divide a via. Muitos reclamam da falta de opções entre a Baixada Fluminense e o Rio, já que a Avenida Brasil está em obras e também há muitos casos de violência.

O tiroteio foi o segundo registrado em menos de sete dias — o anterior foi no dia 5, quando um pai foi fotogrado tentando proteger seu bebê das balas. Nesta terça, a troca de tiros começou quando policiais da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) da Polícia Civil voltavam de uma operação na Baixada. Viram criminosos armados próximo à Favela da Ficap. Apesar do confronto, os bandidos conseguiram fugir e ninguém foi preso.
Os agentes apreenderam 130 tabletes e 145 trouxinhas de maconha, munições e rádio comunicador.

Encurralado, um motoristas filmou e publicou na internet imagens do trânsito parado na região. “Mais de 200 tiros na Linha Vermelha! Que sensação de m...!”, desabafou o internauta.

Segundo o Centro de Operações, o tiroteio na via, além de interromper o trânsito, provocou retenção até o acesso à Rodovia Presidente Dutra, sentido Baixada.

Medo também na Avenida Brasil

Em mais um caso que evidencia a insegurança em vias expressas da cidade, o cardiologista Jorge de Paula Guimarães, de 63 anos, morreu, no dia 24 de outubro, ao ser baleado na cabeça durante uma tentativa de assalto na Avenida Brasil. Quando o resgate chegou, Jorge Guimarães já estava morto. A vítima foi encontrada por policiais do Batalhão de Policiamento de Vias Expressas (BPVE) em um canteiro, na pista sentido Centro, dentro de um Honda Civic prata.

Na época, a PM informou que militares faziam um patrulhamento de rotina quando ouviram disparos. Os policiais relataram ter visto um Ford Fiesta fugindo em alta velocidade e encontraram o médico morto. O cardiologista estava a caminho do Hospital Estadual Rocha Faria, onde chefiava plantões desde 2002.

A via tem trecho tomado por viciados em crack que perambulam pelas pistas se arriscando e pondo em perigo motoristas que enfrentam engarrafamentos devido a obras.

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